
Filho segundo dos então Príncipes de Gales, Jorge nasceu em Londres, tendo sido educado por um tutor juntamente com o seu irmão mais velho, Alberto. Com 12 anos de idade, ambos os irmãos alistam-se na marinha, de acordo com a vontade do pai. Ao serviço da marinha inglesa, viaja pelo mundo, em particular pelas diversas colónias do Império Britânico. No regresso a Inglaterra, os irmãos passam uma temporada em Lausanne, finda a qual o seu percurso se divide. Alberto, o segundo na linha de sucessão após o pai, frequenta o Trinity College, em Cambrige, enquanto que Jorge continua na Marinha. É nesse período que se apaixona por sua prima, Maria de Edimburgo (1875-1938), filha de seu tio Alfredo (1844-1900), ao serviço de qual se encontrava na Marinha. Embora grande parte da família aprovasse o relacionamento, as mães de ambos foram contra o matrimónio: a princesa Alexandra, mãe de Jorge, por considerar o cunhado Alfredo pró-Alemanha e Maria Alexandrovna (1853-1920), duquesa de Edimburgo, por ser filha do czar Alexandre II (1818-1881) da Rússia e, por isso, não desejar uma nova aliança matrimonial com Inglaterra. Maria de Edimburgo acaba por recusar o pedido de casamento do primo Jorge, casando em 1893 com o principe alemão Fernando de Hohenzollern-Sigmaringen (1865-1927), futuro Fernando I da Roménia.
Em 1891, o seu irmão mais velho Alberto fica noivo de Maria de Teck, prima de ambos em segundo grau, por via materna da princesa, Maria Adelaide de Cambridge (1833-1897), neta de Jorge III (1738-1820). Todavia, seis semanas após o noivado, Alberto morre subitamente, vitimado por uma pneumonia, tornando Jorge o segundo na linha de sucessão. No ano seguinte, Jorge e Maria ficam noivos, casando nos primeiros dias de Julho de 1893. Entre 1894 e 1905, nasceriam deste casamento seis filhos: Rei Eduardo VIII (1894-1972), Rei Jorge VI (1895-1952), Princesa Real Maria, Condessa de Harenwood (1897-1965), Henrique, Duque de Gloucester (1900-1974), Jorge, Duque de Kent (1902-1942) e João (1905-1919).
Após a morte da avó, a Rainha Vitória, Jorge tornou-se Príncipe de Gales e o seu pai Rei do Reino Unido. Durante o reinado deste, Jorge foi envolvido nos destinos do Reino, nomeadamente em diversas visitas oficiais pelo Império Britânico: África do Sul, Austrália e Nova Zelândia e Índia, como também a outros reinos europeus, como Espanha e Noruega. No entanto, em 1910, Eduardo VII morre e Jorge sobe ao trono inglês. A cerimónia da sua coroação ocorre no ano seguinte em Londres e também na Índia, como Imperador desse território.
A entrada da Inglaterra na Primeira Guerra Mundial ocorre quando esta declara guerra à Alemanha, a 4 de Agosto de 1914, após esta ter invadido a Bélgica, enviando tropas para este território. À altura, a Inglaterra era a nação com a marinha mais numerosa, com cerca de duas mil embarcações. Esta superioridade naval terá sido fulcral para a vitória dos Aliados na guerra.
Em meados da guerra, toma uma medida importante junto da opinião pública, para se demarcar definitivamente das suas origens familiares e dinásticas alemãs, não deixando margem para dúvidas que se assumia como inglês e, consequentemente, anti-germânico. Na verdade, o seu avô, o príncipe Alberto, trouxera consigo o nome de família Saxe-Coburgo-Gotha, apelido pelo qual a dinastia passou a ser conhecida. No entanto, sendo um nome alemão, Jorge decide pela mudança do nome da Casa Real para um nome, sem margem para dúvidas, britânico: Windsor. Assim, todos os seus parentes renunciaram aos títulos alemães, adoptando títulos e designações britânicas.
Nesse mesmo ano, Jorge recusa que o seu primo Czar Nicolau II e a sua família recebessem asilo na Grã-Bretanha, após a revolução russa, alegando que pudesse ser considerado inadequado, pelo agravamento das condições de vida no país e pelo medo que a revolução se alastrasse ao Reino Unido.
Após a guerra, o reinado de Jorge assistiria ainda à divisão da Irlanda, cujo Sul foi declarado independente em 1921, enquanto o Canadá, a Austrália, Nova Zelândia e África do Sul e Índia receberam o direito à sua auto-determinação, que conduziu à criação da British Commonwealth of Nations.
Jorge procurou também uma maior aproximação ao povo inglês, através de várias medidas, como a nomeação, pela primeira vez, de um primeiro-ministro trabalhista, em 1924, na ausência de um clara maioria para qualquer um dos três partidos, no aconselhamento ao primeiro-ministro conservador de não tomar atitudes exaltadas, durante a greve geral de 1926, e, após a crise mundial de 1929, propôs a redução da sua lista civil, de modo a permitir o equilíbrio do orçamento estatal. Em 1932, inaugurou a transmissão da sua mensagem de Natal pela rádio, algo que se repete anualmente até aos dias de hoje, que é feito pela sua neta, através da Televisão.
Em 1935, Jorge comemorou o seu Jubileu de Prata e no ano seguinte acabaria por morrer, a 20 de Janeiro, após uma sucessão de crises de bronquite. Na noite de 21, a Orquestra Sinfónica da BCC executou uma peça musical, transmitida em directo por essa rádio, composta pelo alemão Paul Hindemith (1895-1963) em seis horas, propositamente para o efeito. As exéquias fúnebres deram-se a 28 de Janeiro, sendo sepultado na Capela de São Jorge, no Castelo de Windsor.
A História nas Estrelas
O Rei Jorge V é uma das principais figuras da Primeira Guerra Mundial, nomeadamente por ser o rei do maior império e da maior potência mundial da época. Contudo, este homem não tinha nascido, à partida, para ser Rei, até porque tinha o seu irmão acima na linha de sucessão ao trono.
Ao olharmos para o mapa natal de Jorge V, no entanto, percebemos que existe um perfil de poder pessoal e de comando, apesar de um lado seu muito mental, ou não tivesse um Sol em Gémeos. Contudo, Jorge V revela-se alguém muito impulsivo e emocional, dada a predominância de planetas nos signos de Touro e Balança, regidos por uma Vénus em domicílio. É exactamente o facto de ter vários planetas muito bem colocados, quer em termos de dignidade, quer em termos de posição em casas, que fizeram de Jorge V um rei que se aproximou do povo e que teve um papel fundamental para a manutenção do Reino Unido estável na transição para uma nova realidade geopolítica.
Jorge V teria uma personalidade imponente e dinâmica, muito fruto de um Ascendente Carneiro, regido por um Marte em Leão na Casa 5, fulguroso e determinado, algo que foi importantíssimo para as decisões que teve de tomar durante vários anos do seu mandato, quer ao longo da guerra, quer posteriormente, com a independência dos Estados do antigo Império Britânico e a criação da Commonwealth. O facto de ter Plutão na Casa 1, em Touro, conjunto a Vénus e a Mercúrio, faziam dele um dos homens mais poderosos do mundo, algo que soube usar, nomeadamente, durante a guerra, e que fizeram do Reino Unido um dos principais motivos da vitória dos aliados.
Para além disso, o Rei era bem visto quer pelos seus súbditos, quer fora do país. Com um Saturno, na Casa 7, em Balança, exaltado, e um Júpiter na Casa 9, em Sagitário, em domicílio, a imagem que passava era a de alguém sério, dedicado ao seu povo e com um verdadeiro sentido de Estado, respeitado por todos.
Quando toma a decisão de entrar na Guerra, Jorge V sente a obrigação de defender as suas origens e a sua independência, enquanto Estado, perante a invasiva alemã à Europa. Com Saturno e Plutão em trânsito sobre o Fundo do Céu e sobre o Úrano Natais, o Rei vê a estabilidade da Nação ameaçada pelo espectro alemão de ganância pelo poder, algo que é reforçado, quando, em 1917, após a revolução Russa, o Rei impede o Czar de ter asilo na Grã-Bretanha. Esta energia também foi vivida, no momento em que decide deixar a sua marca em termos de dinastia e muda o nome da Casa Real, em pleno período de Guerra, algo que muito alegrou o povo e que foi determinante para criar o impacto pessoal que Jorge V sempre demonstrou querer ter.
Na realidade, todo o período de Guerra é um período de expansão de poder e imagem do Rei, com Júpiter a transitar da Casa 11, do sentido maior do seu reinado até próximo do seu Sol, fazendo dele um Rei vencedor e defensor do orgulho britânico. Contudo, ele nunca perde aquilo que o caracteriza, o seu sentido de Estado e humildade de serviço para com o povo.
