Durante décadas, fomos educados a seguir um guião: estudar, arranjar um emprego estável, comprar um carro, uma casa e formar uma família. Era essa a fórmula para o sucesso, era esse o sonho, igual e transversal a todos. A geração dos nossos pais cresceu com essas metas bem definidas: ter era sinónimo de superar. O vencer, o chegar lá, o conquistar eram os verbos dominantes.
Mas a nossa geração está a escrever um guião diferente (ou assim espero!)
Nascemos num mundo em transformação constante, crescemos entre crises económicas, instabilidade política, alterações climáticas e um mercado de trabalho cada vez mais volátil, competitivo e hostil. Aprendemos cedo que a segurança pode ser efémera, que uma casa comprada não garante felicidade e que um contrato sem termo nem sempre vem com realização pessoal! As nossas ambições mudaram, e foram-se renovando a um novo estilo de vida.
Apesar de ainda sonharmos com uma moradia com piscina, vivemos nesta “bipolaridade”, em que sonhamos também com um T0 arrendado onde cabe o essencial. Não desejamos um carro de alta cilindrada, muitas vezes preferimos a liberdade de andar de transportes ou trabalhar remotamente, sem precisar de nos deslocar. O nosso “emprego de sonho” não é, necessariamente, um lugar fixo, mas sim um projeto com propósito, que nos desafie e represente.
Quero crer, que muitos de nós, nesta geração, valorizamos mais o significado do que o status.
Queremos trabalhar, sim, mas em algo que nos inspire, queremos viver com conforto, mas sem sacrificar a nossa saúde mental, queremos estabilidade mas sem abrir mão da liberdade.
Dizem que somos “a geração: do burnout”, da ansiedade, da incerteza, e talvez sejamos, mas somos também a geração que teve a coragem de parar, refletir e perguntar: o que faz realmente sentido para mim?
Isso exige uma força imensa, talvez maior do que seguir o velho guião sem questionar, exige coragem.
Podem chamar-nos “geração perdida”, mas talvez estejamos apenas a encontrar um novo caminho. Um caminho onde o sucesso se mede em significado, e não em metros quadrados. Onde a realização vem de dentro, e não da validação externa. Afinal, o que nos move? Move-nos a vontade de viver uma vida com verdade. Mesmo que mais pequena, mais simples, mais nossa.
Chamam-nos de “geração perdida” por não seguirmos o guião antigo. Mas talvez sejamos a geração que, pela primeira vez, escolhe com o coração em vez da obrigação. E talvez, só talvez, isso seja o começo de um novo tipo de sucesso: aquele que cabe inteiro dentro de nós.
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Nota: Este artigo foi escrito seguindo as regras do Novo Acordo Ortográfico
