Podemos contar sempre com uma controvérsia diária associada à inteligência artificial. Desde os primeiros contos de Isaac Azimov sobre robôs e a versão inicial de “O Exterminador Implacável”, tememos a inevitabilidade do momento em que a máquina suplante o ser humano. No entanto, isso já aconteceu.
De que falamos quando falamos em inteligência artificial
Uma inteligência capaz de ultrapassar o teste de Turing que, nos anos de 1950, se perguntava se seriam as máquinas capazes de pensar, talvez seja uma inteligência artificial.
Se um texto ou um programa construído pela máquina se torna indistinguível de algo produzido por um ser humano, então, segundo Turing, estaremos na presença de uma máquina que pensa ou, como agora o designamos, recorremos à inteligência artificial. Ter a capacidade de aprender, evoluir a partir dessa aprendizagem e realizar as tarefas de forma autónoma são os três pressupostos mais importantes de uma inteligência artificial, conceito que surge em comparação com a inteligência natural.
Qual a aplicação da IA nos nossos dias
“Planear – montar – testar” são os três passos propostos pelo DENDRAL, desenvolvido pela Universidade de Stanford em 1969, para desenvolver soluções promissoras para a descoberta de estruturas moleculares orgânicas a partir da espectrometria de massa das ligações químicas presentes numa molécula desconhecida. A equipa que trouxe à luz esta solução era encabeçada por Bruce Buchnan (filósofo e cientista da computação), Edward Feigenbau (aluno de Herbert Simon), e Joshua Lederberg (investigador na área da genética premiado com um Nobel). Os algoritmos e as soluções propostas por este primeiro projeto bem-sucedido em termos de conhecimento intensivo perduraram até agora e sugerem, como então, que uma abordagem otimizada exige a aplicação de conhecimentos de várias disciplinas.
Hoje, ligamos o nosso telemóvel ou a nossa televisão e aproveitamo-nos dos princípios da inteligência artificial para chegarmos mais rapidamente onde pretendemos. A medicina, a agricultura, a pecuária, a indústria, o ensino e até a nossa forma de efetuarmos compras estão dotados de novas facetas que nem sempre compreendemos, mas que gostamos de exibir perante os nossos amigos, familiares e seguidores. Não há como prescindir da inteligência artificial, nem que seja para anunciarmos que não queremos usá-la nas nossas vidas. Sem IA, não existem espetadores suficientes para produzir um impacto significativo seja em quem for, e essa é também uma questão a considerar.
Ver a IA com nexo
Todas as polémicas que surgem acerca da inteligência artificial debitam as muitas vitórias desta face ao ser humano: é mais rápida, consegue coligir informação com maior rapidez, é mais forte e torna desatualizados certos métodos e determinadas profissões. Contudo, foi exatamente para isso que nós, seres humanos, criámos processos dotados de inteligência artificial. Queríamos libertar parte das nossas vidas para o lazer, para possibilidades de aprendizagem e, porque não dizê-lo? – para explorarmos novas formas de relacionamento profissional e pessoal com outros seres humanos.
Então, por que passamos esse tempo a alimentar o medo relativamente às caraterísticas que visámos desenvolver para sermos mais céleres em todos os aspetos do nosso dia a dia?
Não existem fórmulas mágicas
O conceito de inteligência artificial surgiu numa conferência científica em Darthmouth, em 1956. Desde então, os progressos nesta área têm ultrapassado todas as previsões e expetativas.
Se entendermos a inteligência como a capacidade de organizar recursos com maior eficiência e eficácia para a resolução de um determinado problema, então seremos sempre suplantados pela rapidez dos processadores. Porém, é necessário existir alguém para analisar a informação ordenada, organizada e apresentada com recurso aos algoritmos para uma perspetiva mais apurada.
Escrever é mais do que a imitação de um estilo. Programar é mais do que compilar estruturas já conhecidas de código. Uma curadoria crítica de conteúdos implica muito mais do que um mero papaguear de factos. É aí que nós, seres humanos criadores de inteligência artificial e dotados de inteligência natural, continuamos e continuaremos a ser necessários. Talvez porque o cérebro seja feito para criar, mais do que para trabalhar.
