Acho, e é só um achismo, que o mundo não está tão mau como se vê e as televisões mostram. «Não é notícia o cão a morder no homem, é notícia o homem a morder no cão».
As televisões só amplificam o mal, o bem já está muito vivido. Nascem vidas a cada momento: plantas, animais e pessoas. Sempre estivemos em colapso e, agora, estamos menos. A esperança média de vida é maior, é sinal de que as pessoas gostam de cá estar, viver e a ideia de céu e divino perdeu credibilidade. Há mais gente a escrever, a dizer, a usar da palavra, a opinar, a opor-se ao que achas. As notícias estupidificam-nos (são demasiadas; hora a hora) e se dás relevo ao bem, é porque não estás atento, estás mal informado; o sol nascer todos os dias e pôr-se no mar, que continua a embater na areia, maré baixa e maré alta não são notícias.
O nascimento ser uma obra de amor é glorioso, celeste. São rotinas, já não são magia, já estamos todos habituados a elas. Sempre houve guerras, mas não se mostrava, não apareciam no telejornal. A população está envelhecida e isso é mau? Não, é bom, porque significa que estamos a conseguir viver mais anos. Sem suicídios e a população mais experiente, sabe mais da vida.
Hoje, todos os telemóveis têm vídeo e houve uma banalização do mal. Há mais comunicação do que nunca, talvez com menos acerto… Se se escrevem mais mensagens, não é provável serem todas de qualidade: o provável é haver um aumento do bem e do mal… ou não; o aumento de SMS e de redes sociais cria pessoas mais habituadas a esse mundo.
Não se aumenta na mesma dimensão o nascimento, um casamento, o silêncio como a morte, um funeral e o barulho. Sabemos mais da vida e ela é complicada, felizmente, o amor não é fácil, o humor inteligente é difícil, uma pessoa criar-se e educar-se bem continua a ser um mistério. O planeta, os diferentes continentes, países, regiões, cidades, vilas, aldeias, ruas, casas, quartos, pessoas, sociedades, as nossas vidas… de cada um, estarão tão mal assim?
Todos os dias, depois de mais de 3000 anos, continuam a acontecer coisas novas a todos os instantes, e isso é genial. Nunca sabemos como será o amanhã, por muito rotinada que seja a nossa vida, nunca é pensada até esse pormenor. A democracia foi uma grande invenção e talvez esteja desatualizada. Quando foi inventada, o mundo era diferente, havia menos opiniões interessantes, as pessoas estavam menos habituadas a darem importância às suas opiniões.
«A democracia é o melhor de todos os sistemas com exceção de todos os outros», disse W. Churchill.
O mundo era menos espartilhado, não havia tantas profissões, áreas, opiniões audíveis que foram ensinadas a pensar. As economias eram mais sociais, locais, caseiras e de grupo, menos individuais e isso faz parte do mundo, continuar a avançar e a mudar.
Não é possível vivermos sozinhos e vivermos sempre em grupo: crescem ambos pari passu. Em cada momento, devemos estar prontos para os novos desafios. Cada pessoa é vários mundos em evolução.
O mundo não está pior, está diferente.
