O futuro é hoje. Aonde iremos nós?

Se no passado, quando criança, tínhamos pressa em sermos adultos, hoje qual a pressa que temos? A sensação de que tudo avança em passos largos e já não conseguiremos acompanhar… E nem é só sobre tecnologia. É além. São as pessoas, o redor, a sociedade. É o mundo. As crianças que antes, aos 10 anos brincavam de boneca e carrinho, as de hoje usam maquiagem e se preocupam se tem o melhor e o mais caro telefone para acessar as redes sociais e fazerem “dancinhas” nas postagens virtuais. Não que seja regra e que todos são iguais, mas a grande maioria dessa nova geração segue esse caminho e a pergunta é: Onde vão parar?

Os estudos não negam essa tal preocupação. A BBC News Brasil publicou uma matéria explicando um novo fenômeno em que e a geração atual está demonstrando um QI (Quociente de Inteligência) mais baixo do que a anterior. Conhecidos como “nativos digitais”, esses são os primeiros filhos com QI inferior aos pais e estão sendo registrados em diversos países ao redor do mundo, incluindo Noruega, Dinamarca, Finlândia, Holanda e França. De acordo com o neurocientista francês Michel Desmurget, o QI diminui proporcionalmente ao uso da TV e videogame. Quanto mais tempo passamos num computador ou celular, temos menos interações pessoais reais, a prática de outros exercícios e atividades diminuem e a qualidade do sono é reduzida. Isso resulta em distúrbios na concentração, aprendizagem e impulsividade, além do sedentarismo que pode afetar a maturação cerebral.

O segredo deve mesmo buscar o equilíbrio entre modernidade e o de reconhecer a hora de desacelerar. Hipocrisia seria afirmar que a evolução no mundo não é válida e nem nos favorece.

Cirurgias robóticas auxiliam a medicina, os aspiradores robôs facilitam as limpezas e até já ocupam a função do garçom em restaurante. Os e-mails chegam mais rápido do que o fax ou as antigas cartas.

Era bom se fosse só por aí, mas não é só o lado bom que se destaca. Nos trouxe junto outras mudanças, que fazem questionarmos a nós próprios, quão boa é.

A pobreza emocional, o consumismo desenfreado, os valores perdidos, o que isso alcançara? Tantas dúvidas ao olhar para frente. São crianças batendo em professor, professor pedindo desculpa por alertar do comportamento do aluno aos pais. São olhos fechados, “vista grossa” e eles crescem. No que se tornam?

É a modernidade dos telefones e computadores, afastando uns dos outros, do contato, do toque, da transparência no convívio, gerando uma bolha antissocial. Essa bolha fecha e isola. Os transtornos psicológicos, a saúde mental, cada vez mais abalada e é um assunto em evidência. Que bom! É preciso cuidar e zelar. Pessoas dominadas por calmantes em busca do controle emocional. Vidas que por vezes pedem socorro e algumas delas se entregam e se calam definitivamente. É o grito!

Se anos atrás nos falassem que seria possível falar por vídeo chamada, em tempo real, para qualquer lugar do mundo, quem acreditava? Da modernidade tecnológica ao desejo de muitas vezes “voltar atrás”. Hoje, na tentativa talvez do “retornar ao passado”, restaurantes até restringem o uso do telefone à mesa, o deixando no cesto à entrada e assim arriscarem uma conversa “olho no olho”, sem telas envolvidas. Almoços de família com menos “selfies”. Viagens e passeios sem “stories”. Relações amorosas sem declarações públicas.

O que pode ajudar? O que pode aproximar? O que pode afastar? Excesso de futilidade, fuga da realidade. O ser humano prioriza o dinheiro, o trabalho e esquece que o melhor na vida não é o ter. É o ser. Guerra, brigas, armas, poder.

Podíamos, talvez, aprender com os animais, os tais irracionais.

Nota: este artigo foi escrito seguindo as regras do Português do Brasil
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