Desde a antiguidade, vários povos e culturas em todo o mundo comemoram a chegada do Verão. Para muitas destas culturas, o solstício de Verão não era somente um motivo para festejar e rezar, era algo essencial.
O solstício de Verão, fortemente relacionado com a agricultura, era a comemoração de que as colheitas tinham atingido o seu ponto auge. A versão do povo eslavo da festividade que dá as boas-vindas ao Verão, é a Noite de Kupala.
Esta tradição de origens pagãos festeja-se principalmente na Rússia, Bielorrússia, Ucrania, Letónia, Lituânia, Estónia e Polónia. Segundo o país, as datas mudam, porém, acontece sempre entre 23 de Junho e 7 de Julho.
Esta festividade é uma antiquíssima tradição e a sua origem perde-se no tempo. Acredita-se que, durante a época pagã, as pessoas faziam oferendas ao deus eslavo Kupala, deus da fertilidade, a fim de assegurar uma boa colheita. Com a chegada do cristianismo na região, a Igreja tentou apagar estes costumes pagãos e impôs a festividade de São Joao Baptista. Dessa imposição surgiu o que a Noite de Kupala é hoje, uma mistura de tradições pagãs e cristãs. Em russo, o nome João diz-se Ivan, pelo que a festividade conhece-se também pelo nome de “A Noite de Ivan Kupala”.
Nesta festividade, as pessoas acendem fogueiras perto de rios ou lagos, onde a água é o símbolo feminino, o fogo o masculino e juntos formam o simbolismo da fertilidade. As pessoas reúnem-se em volta destas fogueiras, jantam, dançam e cantam. O clima é alegre e de festa.
As fogueiras são o maior símbolo do festejo e é costume que as pessoas saltem através delas para, simbolicamente, limparem-se de todo o mal. Acredita-se também que os casais que saltem através da fogueira com as mãos dadas e que aterrem do outro lado sem se soltarem estarão juntos e serão felizes para sempre.
Desde as suas origens, é costume que, após a meia-noite, os casais entrem na floresta para procurar uma planta chamada “paporoti tsvit”, que faz parte do grupo das samambaias e que, segundo a lenda, floresce apenas durante esta noite. Quem conseguir encontrá-la, será rico e feliz para sempre.
Para além disto, durante a travessia nocturna à floresta, os casais têm de ter cuidado, porque, durante esta noite, todos os seres mágicos e assustadores do folclore eslavo andam à solta, como é o caso das Rusalky, belas ninfas das águas que afogam todos aqueles que as visse.
