Justin Timberlake bem pode apresentar o seu novo single na Final do Festival da Eurovisão 2016 que se realiza já neste sábado (14 de Maio) em Estocolmo, mas não será apenas dele que dependerá o êxito de mais um extraordinário concurso, que é antes de mais um espectáculo televisivo.
Quando pensamos em Festival da Eurovisão, a primeira coisa que vem à cabeça de qualquer português é a seguinte: ‘Estás a falar daquele concurso musical que Portugal participa desde sempre e que nunca ganhou?’, ou ‘Nem sequer perco tempo a ver, Portugal nunca ganha’. Bem, antes sequer de criticar as nossas (quase 50) participações, muito aquém do que é feito pelos outros países e/ou estados, vale a pena olhar para a história do festival internacional mais antigo de todos.
Para quem não sabe, a Eurovisão é um concurso musical anual transmitido pela televisão dos participantes dos respectivos países, cuja televisão nacional transmissora é membro do European Broadcasting Union. Não esquecer que o concurso é habitualmente transmitido pela rádio e que atinge sempre recordes de audiências, nos últimos anos com mais de mil milhões de pessoas, em simultâneo. Na verdade, a primeira transmissão aconteceu há 60 anos. Em no dia 24 de Maio de 1956, a França, a Alemanha Ocidental (na época RFA), a Itália, a Holanda, o Luxemburgo, a Bélgica e a Suíça subiram ao palco, sendo que este último país foi o inaugural vencedor com a canção “Nets Als Toen” da artista Corry Brokken.
Não confunda, como acontece muitas vezes, estes países com os 5 que automaticamente são apurados para a final, além, claro, daquele que venceu o Festival no ano anterior, neste caso a Suécia (cujo lema escolhido é Come Together). A França, a Espanha, o Reino Unido, Itália e Alemanha são sempre qualificados, devido à contribuição monetária que dão todos os anos para que o Festival da Eurovisão se realize.
De facto, o Festival só começou a ser visto com outros olhos, quando um certo grupo composto por duas raparigas e por dois rapazes (Agnetha Fältskog, Björn Ulvaeus, Benny Andersson e Anni-Frid Lyngstad), sim, os ABBA – o maior e melhor grupo sueco da história -, venceu o festival a 5 de Abril de 1974 com o tema “Waterloo” e bem que aquele “loooooo” ficou na cabeça. Seguiram-se os êxitos de “Dancing Queen“, “The Winner Takes it All“, ou “Chiquitita” e o musical da Broadway com o título “Mamma Mia!“, bem como uma adaptação cinematográfica em 2006, realizada por Phyllipa Lloyd e com Meryl Streep, Pierce Brosnan, Amanda Seyfried e Colin Firth nos principais papéis. A verdade é que o estrondoso sucesso do grupo reformou de uma vez por todas a cerimónia. Se antes a Eurovisão estava vinculada ao talento musical, a partir daí tornou-se mais um espectáculo televisivo, tal e qual como o vemos nos dias de hoje, com quase todas as nações a apostar fortemente na pirotecnia e na projecção de efeitos visuais. Mesmo assim, alguns países utilizam-no e não deixam de ter músicas épicas e tocantes, como o caso da canção vencedora no ano passado “Heroes“, interpretada pelo rapaz de sotaque americano Måns Zelmerlöw, ou a de 2014, “Rise Like a Phoenix“, da austríaca Conchita Wurst, uma espécie de reinvenção das canções da saga cinematográfica 007 – James Bond. Além dos ABBA, outras estrelas passaram pelo Festival como a canadiana Celine Dion, que participou a nome da Suíça e que ganhou com o tema francês “Ne partez pas sans moi”.
Destaque particular à Austrália, que, após ter sido convidada no ano passado, passa a integrar o Festival a partir deste ano, em que participa com a canção “Sound of Silence“, de Dami Im, uma artista nascida na Coreia do Sul e que se mudou com a família para a Austrália, quando tinha apenas 9 anos, aprendendo inglês, enquanto ouvia músicas pop, como as das Spice Girls.
Até agora a RTP1 transmitiu em diferido, as duas semifinais, já a final que se realiza amanhã pelas 20h (hora portuguesa) terá transmissão em direto. Esta é a quinta vez que Portugal não participa no concurso, depois das edições de 1970, 2000, 2002 e 2013. Não esqueçamos a última participação, de “Há um Mar que nos separa” de Leonor Andrade, canção do estilo pop-rock, que não passou à final. Será preciso recuar até 2008, quando a madeirense Vânia Fernandes participou na final que teve lugar em Belgrado com a estrondosa canção “Senhora do Mar”, onde atingiu um modesto, mas ilustre, 13º lugar com pontos de destaque dados pela Espanha e até mesmo pela França.
Quanto às cerimónias, Måns Zelmerlöw – o cantor de 29 anos, que teve uma carreira de êxito no último ano com o lançamento do seu álbum Perfect Damaged e de algumas digressões internacionais, passando pela Espanha ou Dinamarca -, e Petra Mede – a divertida e talentosa apresentadora e bailarina de 46 anos, que como vimos consegue falar sueco, inglês, francês e espanhol e ainda sabe cantar – são os anfitriões deste ano. Pelo que parece na comédia ninguém os bate. O palco, embora gigantesco, é bastante modesto, quando comparado ao da Áustria do ano passado, ou o da Dinamarca de 2013, onde inclusive a “green-room“, em que ficam os artistas depois das suas actuações, não é tão luminosa. Mesmo assim, esperamos uma final de deixar pais e filhos, mais velhos e mais jovens, deliciados com o talento de cada um dos profissionais envolvido neste espectáculo.
Chame-lhe o que quiser, mas a Eurovisão é um espectáculo gratuito, que promove paz e amor, com diversidade de estilos musicais e que consegue tocar muitos anónimos por aí espalhados, que se agarram ao televisor ou ao computador como se não houvesse outra coisa no mundo. É lamentável como Portugal não se dedica a este programa – relembre-se que a RTP1 estava indecisa em transmitir ou não ao concurso deste ano – e que muitos dos nossos artistas nacionais supostamente conhecidos olham com desdém para este concurso, ao contrário dos artistas dos outros países que se sentem honrados em representar a sua respectiva nação, participando nos concursos que permitem a sua admissão a este.
Para terminar e como justificamos, não faltam razões para assistir ao Festival, onde poderá ouvir as verdadeiras grandes canções de 2016. E veja lá, até Justin Timberlake vai apresentar o seu novo single “Can’t Stop The Feeling”, co-escrito pela dupla de suecos Max Martin e Shellback, o que justifica o sucedido, mesmo após as inúmeras críticas publicadas pelos fãs do Festival nas redes sociais. De fora, ficam as polémicas, porque o melhor mesmo é ficar sentadinho ou de pé na sala, no quarto ou no escritório e ouvir as músicas que consideramos terem mais hipóteses de alcançar o top 5, entre todas aquelas que estarão na final. Enfim, o nosso coração bate freneticamente, enquanto aguardamos que o nome do país que preferimos seja antecedido pela expressão “12 pontos vão para…”. Que o Festival da Eurovisão da Canção comece!
TOP 10 1ª Semi-Final (Terça, 10 de Maio)
- Países Baixos com “Slow Down“, música interpretada por Douwe Bob
- Azerbaijão com “Miracle“, música interpretada por Samra
- Hungria com “Pioneer“, música interpretada por Freddie
- República Checa com “I Stand“, música interpretada por Gabriela Gunčíková
- Malta com “Walk on Water“, música interpretada por Ira Losco
- Arménia com “LoveWave”, música interpretada por Iveta Mukuchyan
- Chipre com “Alter Ego“, música interpretada por Minus One
- Croácia com “Lighthouse“, música interpretada por Nina Kraljić
- Rússia com “You are the Only One“, música interpretada por Sergey Lazarev
- Áustria com “Loin d’ici“, música interpretada por ZOË
TOP 10 2ª Semi-Final (Quinta, 12 de Maio)
- Letónia com “Heartbeat“, música interpretada por Justs
- Geórgia com “Midnight Gold“, música interpretada por Nika Kocharov e Young Georgian Lolitaz
- Bulgária com “If Love Was a Crime“, música interpretada por Poli Genova
- Austrália com “Sound of Silence“, música interpretada por Dami Im
- Ucrânia com “1944“, música interpretada por Jamala
- Sérvia com “Goodbye (Shelter)“, música interpretada por Sanja Vučić ZAA
- Polónia com “Color of Your Life“, música interpretada por Michal Szpak
- Israel com “Made of Stars“, música interpretada por Hovi Star
- Lituânia com “I’ve Been Waiting for This Night“, música interpretada por Donny Montell
- Bélgica com “What’s the Pressure“, música interpretada por Laura Tesoro
Top 6 apurados diretamente à Final
- França com “J’ai cherché“, música interpretada por Amir
- Espanha com “Say Yah!“, música interpretada por Barei
- Alemanha com “Ghost“, música interpretada por Jamie-Lee
- Itália com “No Degree of Separation“, música interpretada por Francesca Michielin
- Reino Unido “You’re Not Alone“, música interpretada por Joe & Jake
- Suécia com “If I Were Sorry“, música interpretada por Frans
De acordo com as casas de aposta, Rússia (com Sergey Lazarev), Ucrânia (com Jamala) e França (com Amir) são os três países com mais possibilidades de disputar o troféu, os outros podem ser vistos em baixo.
RÚSSIA
FRANÇA
SUÉCIA
BULGÁRIA
UCRÂNIA
