Ele é Arte – continuação

Depois de tanto tempo a reprimir o que sentia por ele, durante o qual fez tudo o que podia para o esquecer, percebeu que ainda que não a dominasse, era mais forte do que ela podia suportar. Não conseguia entender o que estava a acontecer nem como podia sentir algo tão assustador quanto estimulante, mas grandioso e incomparável. Nunca tinha sentido nada igual antes e não sabia como o evitar. Então passou a respeitar aquele sentimento.

Ele inspirava-a. Era arte para ela…ele era diferente. Tinha algo de muito fascinante no olhar, na voz e na forma como se exprimia. Nos gestos, na forma de andar. Todo ele era como uma verdadeira obra de arte digna de apreciação. Era inspirador, cativante. A quem tem alma de artista, como ela, não falta imaginação para criar e ele deu-lhe muito mais do que podia obter naturalmente. Tornou-se o seu “muso” sem saber, o que só o tornou ainda mais especial para ela. Só ele podia saber que tal arte era inspirada nele. Só ele poderia entender, porque a sabia “ver” melhor que ninguém. E essa forma de expressão era reveladora do mais íntimo que existia nela.

Ela não era fácil de alcançar, mas ele conseguiu-o da forma mais subtil, paciente e bonita que se possa imaginar.

Esteve muito tempo sem o ver ou falar com ele e nessa altura deu-se conta do quanto ele significava para ela. Não só pela falta que sentia dele, mas pela agonia causada por preocupação de não saber dele, se ele estava bem ou não…ainda que não soubesse como encontrá-lo, também não tentou por achar que só ia sofrer mais.

E um dia, sem mais nem menos, lá estava ele. Outra vez. Ainda mais lindo. Ainda mais sexy. Ainda mais…tanto. Tudo isso e muito mais que a fazia tremer tanto por dentro quanto por fora. E ele voltou a olhar para ela como se ela fosse a coisa mais bonita que existe e isso foi suficiente para lhe dar a coragem necessária para arriscar.

Ela abriu o seu coração e disse-lhe o que sentia, e sem definição de sentimentos, explicou-o da forma mais pura e honesta que conseguiu. Numa primeira instância, apenas queria libertar aquele peso e só o podia fazer com ele. Não esperava mais nada, nem estava preparada para avançar. As circunstâncias eram adversas e nenhum dos dois estava disponível para ceder naquele momento. Mais tarde, e já com a certeza de que se tornara inevitável, apenas o medo prolongou o impasse.

Ela quase desistiu…mas ele não e finalmente entregaram um ao outro tudo o que jamais alguém tinha alcançado neles, porque já não fazia sentido evitar mais.

Não há nada mais arrebatador do que o jogo de sedução de um homem tímido. É a arte de fazer magia com cada detalhe. É saber cativar e alcançar o que de mais profundo pode ter numa mulher.

Ela só queria olhá-lo nos olhos antes de os seus lábios se tocarem e o beijar intensamente.

Sentir o seu abraço, bem forte e cheio de emoção pelas palavras contidas.

Tocar naquela extraordinária obra de arte humana e percorrer o seu corpo com as suas mãos e a sua boca, lentamente.

Sentir o seu corpo no dela, unidos por um desejo inigualável e uma química única, como se fossem um só.

Olhá-lo nos olhos intensamente antes, durante e depois, como se não existisse mais nada.

Que ele deixasse de o negar a si próprio de uma vez por todas.

Porque o que não libertamos, consome-nos. Isso não muda o que somos, porque a nossa essência também é o que sentimos e queremos. E isso, é viver. Não é ser egoísta ou altruísta com alguém, mas sim permitir-se viver verdadeiramente.

E quando eles se permitiram concretizar aquela vontade, por fim, perceberam isso.

Nota: este artigo foi escrito seguindo as regras do Antigo Acordo Ortográfico
Exit mobile version