Crise, a palavra que ecoa demasiadas vezes na nossa mente.
Não falo de economia nem tão pouco de política.
Quero «passear» pela crise de valores nos jovens.
O que se passa com a juventude? Onde ficaram os princípios?
Fala-se de «bullying» e «cyberbullying», reveladores desta crise em crescendo.
Parece que se tornou divertido rebaixar e perseguir os outros, ao ponto de algumas vítimas se suicidarem.
Será pura diversão, frustração, falta de atenção, estupidez ou demência?
Que futuro esperamos se os mais novos vão ocos em valores?
A base vem de casa (supostamente), embora seja importante rever as mensagens que passam nas escolas. Sinalizar potenciais «agressores» e permitir-lhes um acompanhamento psicológico. Entender o lado negro que os conduz ao escárnio. Não os defendo, mas acredito que haverá uma falha na sua construção enquanto ser social. Provavelmente, na sua base: os pais.
Qual o papel dos pais destes jovens? Andam demasiado ocupados com o trabalho, a carreira e os filhos ficam para depois? O tempo passa e alimenta pequenos «monstros». Tentam colmatar essa falha com um telemóvel topo de gama, ou um computador «XPTO». E a atenção, o diálogo, a transmissão de valores fica perdida por aí num «agora não posso, estou a trabalhar», «diz o que queres, que dou».
Ou serão também, alguns destes jovens, vítimas de violência psicológica por parte dos progenitores, acabando por replicar o que vivem em casa?
Acredito que seja um pouco de tudo. E, em ambos os panoramas, as atitudes são condenáveis.
Na era tecnológica que vivemos, basta percorrer as redes sociais para ler comentários típicos de quem precisa dessa atenção. Diminuem para se sentirem superiores e ouvidos, desrespeitam para captar a atenção.
Bebem da humildade de quem tem valores para os reduzir a lixo (tal como se sentem — descartáveis).
O mesmo se verifica nas escolas: nas ameaças que tecem e que muitos cedem para se sentirem integrados (sem, na verdade, conseguirem). Outros fogem e silenciam até ao extremo: violência física e o suicídio.
Esta crise de valores conseguirá regredir se deixarmos de viver obcecados pelos objetivos errados.
Educar, primeiro, dá trabalho e exige tempo.
Pais, não podem delegar tudo aos professores, convictos de que é obrigação deles e pagam para os filhos terem educação.
A escola continuará o trabalho iniciado em casa. Nunca criará bases.
É importante não esquecer que os jovens de hoje são o futuro de amanhã. Ninguém quererá viver numa sociedade egocêntrica, virada para si mesma. Onde valores como respeito, partilha, cooperação, humildade, igualdade são fundamentais para que esta rede funcione.
Ninguém evolui sozinho. É urgente trabalhar dois aspectos: a qualidade de tempo em família e a empatia pelo próximo.
Nota: Este artigo foi escrito seguindo as regras do Antigo Acordo Ortográfico.
