Contos da Serpente e da Lua

O livro “Contos da Serpente e da Lua”, da autoria de Sofia Batalha, é uma obra que se compõe de duas partes: a primeira, composta por contos, tal como o título pressupõe, e uma segunda parte, que considero de ensaio, sobre o sagrado feminino, das paisagens do nosso território e a sua sacralização ancestral, de uma ligação primitiva aos contos tradicionais e de como tudo isto se relaciona com os contos narrados nessa primeira parte, agora explicados ao leitor.

Os contos vão recuperar espaço da memória coletiva de uma ancestralidade feminina e não colonizada por culturas patriarcais, um tempo e lugar longínquo, aquele em que se criaram os contos tradicionais. Aliás, os contos tradicionais são um ponto de partida para esse recuo, um trabalho que procura reavivar histórias e tradições esquecidas. Os contos presentes no livro são, portanto, uma releitura dos contos tradicionais à luz das teorias apresentadas na obra.

É uma leitura densa, de reflexão, de aprendizagem, com uma profundidade imensa e nem sempre fácil de ser apreendida. Não é um livro que se leia como recreação, é um livro de estudo, sobretudo para os interessados neste tema, que nos obriga à releitura e à tomada de notas. A linguagem é densa e intrincada, repleta de novos conceitos, o que torna por vezes difícil o acompanhamento da leitura e a fluidez da mesma.

Com ilustrações de Carolina Madrágora, perfeitamente enquadradas no texto e de encontro a uma estética entre a antiguidade clássica e o moderno, prefácio de Élia Gonçalves, este livro foi editado pelas Edições Mahatma.

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