Quem nunca chorou a rir por causa das cócegas? Essas gargalhadas acompanhadas por tensão no corpo. Eu, particularmente, não gosto, mas qual é a função biológica das cócegas? Qualquer comportamento humano ou animal tem a sua razão de ser, não é verdade?
Muitos estudos já foram feitos para compreender este fenómeno cheio de risos, mas o motivo que nos leva a rir, quando alguém toca na nossa axila (por exemplo), parece não ter ainda uma resposta certa.
Aristóteles e Charles Darwin foram algumas das grandes personalidades que quiseram entender o enigma das cócegas. Darwin chegou a teorizar a relação entre as cócegas e as relações. Se por exemplo, fizermos cócegas a um estranho, esta situação não terá um resultado muito positivo e a pessoa que recebeu as cócegas, provavelmente, não irá rir e achará o acto desagradável. Assim, o naturalista inglês acabou por concluir que as cócegas são feitas entre amigos e parentes e geram vínculos, prazer e confiança.
Assim, quando a pele é acariciada de forma mais súbtil, as terminações transmitem o estímulo até ao centro de prazer do cérebro, localizado no hipotálamo. Porém, quando a estimulação é profunda e rápida, essa reação tem o resultado contrário e os sinais tornam-se uma verdadeira tortura na forma de risos nervosos, gritos e movimentos bruscos. Por um lado, podemos percebe-las como algo pouco agradável e, por outro, liberar grandes quantidades de endorfina que nos faz sentir prazer.
A verdade é que há dois tipos de cócegas, knismesis, que é a sensação induzida por um leve toque na pele e que não costuma provocar risos (pode ser o caso do pequeno insecto que anda sobre a nossa pele), e a gargalesis, que é a sensação desencadeada por uma moderada e repetida pressão sobre certas partes do corpo, provocando gargalhadas (similar ao nome destas cócegas) e movimentos involuntários, como pequenos espasmos.
Enquanto que é possível provocar knismesis em si mesmo, a gargalesis só pode ser ocasionada por outra pessoa e isso se deve a que o cerebelo (o responsável por dar ordens de movimento) já recebeu uma cópia da informação do movimento, antes de que o mesmo fosse executado, deixando o cérebro de sobreaviso e bloqueando todas as possíveis sensações de cócegas.
