Escolhi este livro por ser o último dela e o último que eu li, porque a verdade é que não consigo saber qual é o meu favorito (adoro os quatro). Por isso, obviamente, vou sugerir que leiam todos, porque vai valer a pena de certeza. Os amantes de bons policiais vão ficar encantados com esta autora.
O mais apelativo na escrita e nas histórias criadas por Tana French são a humanidade que coloca nos protagonistas, a verosimilhança nos crimes, motivos e personagens e, claro, o mistério que fica sempre pendente. Primeiro, é altamente credível tanto na voz de um protagonista homem, como na voz de uma mulher. Além disso, sentimo-nos na pele daquele detective que tenta desvendar aquele crime, ou mistério, que poderia perfeitamente ter acontecido ao nosso vizinho, de tão assustadoramente real que é. Não notamos que nos estão a contar uma história que poderia ser real, porque nós estamos a viver tudo, página a página. É incrível, inclusive, os conhecimento de procedimentos de investigação que Tana French nos mostra, sendo possível este livro ter sido perfeitamente escrito por um ex-detective. Por último, muito importante: desenganem-se se esperam um final clean e certinho. As obras de Tana French são como a vida, onde nem sempre tudo fica arrumado. Esta autora não entretém só, também nos faz pensar e mexe com o nosso espírito.
Ler uma obra de Tana French é conseguir desvendar completamente um crime, mas nunca descobrir outro dos mistérios que ela nos lança – seja um crime recente, ou um passado suspeito. Esta escritora deixa sempre algum mistério, uma peça do puzzle fora. O que poderia até ser irritante, mas, na realidade, só nos deixa com um aperto triste na alma por termos de despir a pele daquele protagonista e com uma vontade tremenda de ter o próximo livro em mãos. Faz-nos pensar. É isso que, para mim, é tão real: os livros dela mostram que, ao contrário do que nos ensinam as séries de televisão, nem sempre é possível desvendar tudo o que a vida nos atira.
