É difícil para alguém que não seja de Belas Artes, ou que não tenha um interesse específico por a magia da arte, reconhecer este conceito tão fácil de apurar, mas tão difícil de identificar. Problemas filosóficos à parte, o reconhecimento de uma obra de arte depende em muito do sujeito que o observa, sendo a própria construção uma parte preponderante. Afinal, o artista faz e os interpretadores observam, dependendo-se mutuamente.
Como é fácil de entender para qualquer leigo, não sendo necessária especial atenção, nem todos as obras são arte, nem todas as artes são belas. Levando a que, Beleza e Arte, que sempre de mão dada andaram, estejam mais relacionadas com a identificação do sujeito e do seu quotidiano. E aí entra o papel da fotografia na arte.
Se mencionamos o nosso dia-a-dia logo nos lembramos
Então, o que distingue a sensibilidade de um macaco com uma máquina fotográfica da de um artista com o seu pincel? Na verdade, nada. Uma obra de arte nasce da liberdade de captar, de forma emocionalmente racional, um momento, um local, uma pessoa. Trata-se de imortalizar um segundo para o resto das horas que desejamos. Mas isso não faz de nós artistas, criadores de uma arte sublime, capaz de ser exposta nas galerias de arte de Nova Iorque, como a Gagosian Gallery (522 W 21st Street). Não basta termos inspiração, uma máquina fotográfica e três horas disponíveis. Ou será que basta?
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Como David Du Chemin nos explica em Falando Fotograficamente, “Como fotógrafos, temos dificuldade em falar sobre imagens porque, francamente, não sabemos como pensar nelas. Se não soubermos como pensar sobre uma foto e sua “linguagem visual” – como a imagem é construída, como ela funciona e por que funciona – saberemos comunicar da melhor forma possível, quando estamos por trás da câmara, nossa visão e propósito original? A visão – por mais crucial que seja – não é o objetivo definitivo da fotografia. A expressão é o objetivo. E para nos expressarmos melhor, é necessário aprender e utilizar a gramática e o vocabulário da linguagem visual”. Ou seja, antes mesmo de pegarmos na câmara, precisamos de saber o que queremos dizer com as fotos que vamos tirar. Precisamos de pensar na expressão que queremos ver naquele ecrã ou papel. Precisamos de analisar os objectivos que escolhemos. Precisamos de saber o que queremos, sem deixar de parte o que somos.
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Se acha que não é capaz, saiba que não é a sua formação ou a sua qualificação que o impede. Você está a impedir-se a si mesmo, boicotando a sua sensibilidade e habilidade de comunicação. Tem medo de falar por imagens, mostrando que não sabe dominar as suas emoções? Deixe-as transbordar e crie arte. Você é um artista, se assim o quiser. A máquina está à espera, e o mundo precisa do seu contributo. Pronto para disparar, senhor artista?
