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Workaholic vs. Worklover

Uma pessoa passa, em média, 33 a 42 anos da sua vida a trabalhar. A variação está relacionada com o país e com o género. Em Portugal, passamos cerca de 38 anos.

Apesar da pandemia ter causado a morte de uma quantidade significativa de portugueses, a maior parte idosos, a esperança média de vida em Portugal aumentou, estando situada em 81,06 anos.
Ou seja, passamos cerca de metade da nossa vida a trabalhar.

Isto levanta uma questão, ou várias:

Quando é que começámos a ser definidos pelo nosso trabalho e não pela forma como vivemos?

Será que conseguimos desligar do nosso trabalho ou estamos sempre com essa segunda pele vestida?

O termo workaholic vem do inglês e significa alguém que não se consegue desligar do trabalho e mais ainda, é viciado. Como se de uma droga ou de álcool se tratasse. É viciado no trabalho, mas nem sempre gosta do que faz.

Onde fica a vida pessoal? A família? Os amigos? Os passatempos?

As empresas são, muitas vezes, motivadoras de empregados competitivos e, também, de indivíduos que querem provar alguma coisa a alguém ou a si mesmos. Assim, alguns acabam por ficar viciados no trabalho para atingirem os seus objetivos.

Um dos maiores receios de um workaholic é o medo de fracassar, isso faz com que ele persista em dar o seu melhor e para isso é necessário tempo – um dos bens mais preciosos e que, infelizmente, não estica.

O que fica para trás?

Vemos, cada vez mais, casamentos e maternidades tardias. Outros, abdicam de constituir uma família, em prol de uma carreira bem-sucedida, que raramente deixa tempo para o que quer que seja. O convívio limita-se apenas aos colegas de trabalho. Os animais de estimação são agora os “novos filhos”.

Há um número crescente de pessoas que vivem sozinhas; que continuam em casa dos pais na idade adulta; que não têm um companheiro; que não têm tempo para amar. Apenas têm tempo para trabalhar, comer e dormir (mal e pouco, muitas vezes).

Porquê? Para quê? Somos seres humanos ou máquinas de trabalho?

A Bíblia, no livro de Eclesiastes 2:24, diz: «Não há nada melhor para o homem do que comer, beber e desfrutar do seu trabalho árduo…»

O próprio Criador fala em labuta cansativa – a maioria, na altura, trabalhava e vivia da terra – mas também fala de comer, beber e desfrutar do resultado desse empenho.

Quem não se lembra dos livros, do Robin Sharma, O monge que vendeu o seu Ferrari ou O Santo, o Surfista e a Executiva? Li ambos e gostei. Fala de homens que deixaram os seus empregos absorventes e passaram a descobrir o objetivo da vida, a busca do Eu e do verdadeiro propósito para cá andar.

Portanto, para mim, parece-me lógico que o trabalho é bastante importante, mas não devia ser o único foco da nossa vida. Devemos trabalhar para viver e não viver para trabalhar. Claro está que deverá ser uma atividade de que gostamos.

Ser um worklover é ser alguém que ama o seu trabalho, mas não o vê como um vício. Para mim, é impensável trabalhar em algo de que não gosto, onde não me identifico. Causa-me alergia, urticária mental e, depois, física. Por isso, já mudei de emprego algumas vezes. Mesmo assim, é importante estabelecer fronteiras para que não nos engula.

Veja-se o caso da escrita. A qualquer hora surge uma ideia. Quando as palavras começam a bater à porta, é difícil não as deixar sair. No entanto, não deixo de arranjar tempo para os filhos, para passear, para namorar, para ler, para dançar, para ver o mar, para estar com amigos ou familiares. Nem sempre é fácil ter esse equilíbrio e colocação de prioridades, mas andamos cá para nos irmos aperfeiçoando e o lema «aprender até morrer» aplica-se também a este caso. Vamos aprendendo a deixar de lado o que nos faz perder tempo que pode ser útil para coisas mais importantes.

Em jeito de reflexão deixo o exemplo, que toda a gente conhece, do frasco e das pedras. Temos de colocar primeiro as maiores e só depois as pequenas, a areia e a ainda se encaixa o tempo para uma água ou um café. Se pusermos primeiro as pedrinhas, o que é maior ou mais importante, depois, já não cabe.

Obrigada pelo pedacinho do vosso tempo.

Nota: este artigo foi escrito seguindo as regras do Novo Acordo Ortográfico

Sara Carvalho

Curiosa, desde miúda, devorava livros e ficava fascinada com a capacidade intelectual dos autores para criarem enredos. Era fã acérrima de Agatha Christie, apesar de ter sido Enid Blyton quem me conquistou primeiro. Na idade adulta, o chamamento para escrever tornou-se ensurdecedor e em 2021 publiquei o meu primeiro livro - 777 - um romance de fantasia. Abri uma página e um blog para escrever e partilhar esta paixão - Cenas d’Escritas. Participei em diversas coletâneas poéticas como co-autora convidada. Escrevo regularmente, como cronista, para o jornal A Voz de Paço de Arcos e para a revista online Helicayenne Magazine Portugal. Neste momento, aventurei-me como coordenadora na criação de uma coletânea poética do grupo de escrita que administro no Facebook - Alma de poeta, alma inquieta.

One Comment

  1. Um tema importante que deveria fazer muitos reflectir, já percorri várias empresas e várias áreas, neste momento faço o que gosto e onde gosto. Trabalho para ter alguma qualidade de vida, não vivo para o trabalho. Parabéns pelo excelente trabalho.

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