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Vidas: niveladas?

Em um contexto de transição geracional, boom de novas tecnologias e economia globalizada, temos a impressão de que nossos modos de vida estão nivelados, de que tudo à nossa volta parece igual. Porque isso acontece? Proponho aqui uma reflexão e logo depois atrevo-me a apresentar possíveis consequências.

Nos anos 80, Estados Unidos e Inglaterra adotaram o sistema Neoliberal – que, como sabemos, defende uma posição do estado enquanto regulador da economia, somente, em vez de propulsor e até interventor, se necessário. E foi este sistema que possibilitou a globalização (que se pretende não somente econômica, mas também política e cultural). Este fenômeno foi reforçado pela popularização da internet a partir de 1.988 e pela queda do Muro de Berlim em 1.989. Além disso é dominado, na maior parte das vezes, por empresas americanas, europeias e grandes conglomerados asiáticos.

A ideia de que vivemos em uma “nação global” pode ser ilustrada pelo “11 de setembro”: praticamente todas as pessoas do mundo, que tenham 40 anos ou mais, lembram-se de onde estavam e do que faziam quando receberam a notícia do atentado. Delas, boa parte acompanhou em tempo real o choque do segundo avião com as Torres Gêmeas.

Com o advento das redes sociais reguladas por algoritmos a serviço do sistema a que ora me refiro, temos a impressão de que nossa voz alcança e mais: influencia as decisões daqueles que comandam as nações. E mais ainda: a sensação de estarmos bem informados sobre tudo dá-nos a certeza de que todos estão bem informados e empoderados. Portanto, “se está bom pra nós”, está bom para todos. E se não está bom para alguém é porque está na bolha errada. E não é problema nosso. Basta seguir a vida editada em vídeos e fotos em nossos perfis.

Meu pensamento é que o “nós” a que me refiro neste texto é uma parcela significativa da população mundial que foi capturada, sem muitas chances de escapar, pela rede neoliberal.

O que entendemos por Estado ou Nação tem atuado, mundialmente, menos na defesa das pessoas do que das grandes empresas. Haja vista, por exemplo, às inúmeras propostas de redução dos direitos trabalhistas – sem que haja um combate vigoroso por parte das classes trabalhadoras.

Pesquisas apontam para o fato de que 17% dos brasileiros não têm acesso garantido à internet. Mundialmente falando, é sabido que em vários países o acesso à web não é totalmente livre – entre eles estão China, Irã, Egito, Síria, Cuba, Etiópia e Rússia. Portanto não há, leitoras e leitores, uma dada aldeia global.

A Oxfam Brasil, uma organização sem fins lucrativos da sociedade civil brasileira, lançou um relatório no Fórum Econômico Mundial de Davos deste ano que aponta, entre outras coisas: “O 1% mais rico do mundo ficou com quase 2/3 de toda riqueza gerada desde 2020”. É uma economia globalizada do ponto de vista de quem? E serve a quem?

Temos assistido à proliferação de discursos de ódio e de perseguições a minorias sociais em uma dimensão e com uma desfaçatez inimaginável no início do pós-guerra; sofremos literalmente na pele as consequências das mudanças climáticas causadas pelo descuido para com o ambiente; somos alertados para o risco do retorno de doenças já erradicadas, pois tem caído a adesão às campanhas de vacinação e há, nisso tudo, algo que não nos incomoda: milhares de pessoas, das mais diversas culturas, entregues à miséria.

A rede algorítmica, essa sim quase mundializada, direciona nossas percepções para o consumo, o conforto, o querer mais, a preguiça social. O 1% se refestela.

Nota: este artigo foi produzido de acordo com as normas de Português do Brasil.
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