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The Ramblers

Senhores e senhoras, meninos e meninas, sejam bem-vindos a uma viagem por um universo de Blues e Rock, povoado por um imaginário de Queimas a Bruxas e Gimmicks Piratas, com toques dos mais diversos estilos de World e Folk Music. Uma viagem só possível através da musicalidade dos The Ramblers e do seu primeiro álbum de originais, Wet Floor.

O nome The Ramblers surge de um velho Blues dos Rolling Stones, “Midnight Rambler”, e tem sido sob este nome que a banda se apresenta desde sempre. O seu som é rock clássico, mas com uma originalidade muito própria, honesta, de quem sente e exterioriza esse espírito musical. A isto junta-se ainda as influências do Soul, do Jazz e do Funk das décadas de 50, 60 e 70, apesar de nenhum dos membros ser nascido na altura. A doce voz de Rosie, a guitarra de Richards, o baixo de Lou, o piano de Lewis e a bateria de Ferro são os herdeiros da época áurea do Rock.

Da abertura do concerto de B.B King, à Queima das Fitas de Coimbra, do Casino de Lisboa, ao Musicbox e ao Palco Novos Valores na festa do Avante, o Blues Rock com sotaque alfacinha já espalhou o seu som por muitos palcos. Agora, com Wet Floor, conquista mais um palco, desta vez o palco do Álbuns Originais, com 13 faixas no total. É uma viagem que não se afasta muito das suas origens e continua à procura de assentar de vez num refrescar do Blues Rock da actualidade, à medida que ascendem a novos patamares. Em simultâneo, continua a não renegar a tendência tradicional do género de evoluir e mesclar-se com outros ritmos e sonoridades até chega a um híbrido da World Music, onde os Rolling Stones de “Midnight Rambler”, que outrora os descrevia na perfeição, já não chegam com a mesma intencionalidade e intensidade.

Nesta revolução no passado que é presente, as influências e as lembranças continuam a ser muitas e a capacidade criativa da banda não deixa de garantir uma sobriedade sonora de excelência. De “Pow How”, onde o reencontro começa em festa, ao blues de “Dead Men Tell No Tales” e aos riffes finais de guitarra de “Lucky Sour Cream”, a sonoridade da banda consegue criar uma viagem pelas grandes influências norte-americana, quer seja a música negra, ou o Rock’ n ‘Roll. Existe uma boa dose de ritmo, de guitarras no ponto e, especialmente, uma vocalista carismática. É música de sempre e para todos. Uma compilação sonora de muitos anos de cultura americana e do bom fazer Rock.

O Rock clássico dos The Ramblers surpreende nos com um som muito próprio. Para eles, juventude não é sinal de inexperiência, nem de falta de bom gosto. Muito pelo contrário. Porque já fazia falta no país um álbum com esta identidade, o convite para ouvirem Wet Floor está feito.

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Miguel Arranhado

licenciado em ciências da linguagem, pela faculdade de letras da universidade de lisboa. editor no repórter sombra. amante das artes e da cultura. politólogo de sofá. curioso por natureza. fascinado pelas pessoas e pelo mundo. crítico. perfeccionista. maníaco por informação. criativo. e assim assim...

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