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Quando o teu desemprego é o emprego de alguém

Esta é a história de quando descobri que o meu desemprego é o emprego de alguém e que só percebes isso, quando te diriges pela primeira vez a um Centro de Emprego e te tratam como se fosses inválido ou culpado.  É uma experiência que se pode considerar algures entre as urgências sobrelotadas e o corredor para o julgamento num tribunal.

Se estás ali e não sabes que senha tirar, é porque és um atadinho e por isso mesmo foste despedido. Se estás ali e já sabes tirar senha, é porque não queres trabalhar e estás ali porque tens a mania que és espertalhão.

Dão-te a liberdade de tirares a tua própria senha, porém, sobre intensa supervisão de um segurança de empresa externa como se a qualquer momento fosses assaltar a máquina das senhas.

O que disseste até ali foi ignorado, como se falassem os dois uma língua estranha e quando perguntas a meio do processo: é assim, não é?  – respondem-te com o mais seco: ‘você é que sabe o que é que está aqui a fazer’. Engoles em seco, inspiras fundo e quando vais para responder à interjeição explicando o que estás ali, efectivamente, a fazer, és informado que se já tiraste a senha deves afastar-te visto que estás a criar fila. Tens de dar espaço aos outros todos depois de ti que também querem assaltar a máquina das senhas.

Agarras a tua senha e diriges-te para a sala de espera de frente para um ecrã onde as senhas não mudam há longos minutos, mas agora, com a sensação de que não sabes se a senha que tiraste é a correcta ou não, se terás de voltar à fila das senhas ou pior, perguntar a alguém que lá terá de parar de comer um iogurte pelos corredores, pousar a respectiva colher, revirar-te os olhos e apontar para sul na resposta quando a tua pergunta foi sobre norte.

O meu cérebro grita-me: ‘Ficas baralhado? Não tivesses sido despedido!’. Querido cérebro, também tu trabalhas aqui?

E esperas. E finalmente chama a tua senha e és atendido. E pedem o papel oficial de desempregado. E inserem os dados num computador fazendo bater as unhas de gel bem afiadas nas teclas. E devolvem o papel e despedem-se de ti.

Até aqui ainda nem sabes sequer se acertaste na senha.

A única coisa que tens a certeza é que não está mais ninguém sentado na mesma secretaria, nem ao teu lado nem atrás de ti, portanto a senhora está a dirigir o Adeus a ti. – diz alguma coisa – empurra-te o cérebro como se momentaneamente tivesses congelado no balcão dois do Centro de Emprego.

— Mas e agora? Já está? Estou inscrito? — Questiono como se não tivesse percebido absolutamente nada.

— Não, ora essa!  Agora é só aguardar que o sistema lhe envie uma mensagem a dizer o dia para cá vir inscrever-se!

Como recebi a data para a inscrição no Centro de Emprego para lá voltar quase quinze dias depois, assim se garante trabalho para todo o sistema por várias semanas consecutivas.

Voltas lá. Com data e hora marcada. Tudo corre lindamente. E em quinze minutos, repito: quinze minutos, estás no sistema e só tens de aguardar que a Segurança Social te diga alguma coisa.

Será demais perguntar porque não fizemos isto no primeiro dia em que aqui estive? Será sim, e então perguntas unicamente como podes fazer para saber o estado do processo, ao que te respondem: ‘isso agora é com a Segurança Social. São dois serviços independentes sem comunicação entre eles. Obrigada e boa tarde!’

É melhor ir almoçar a casa que nem sei o que vai acontecer nas próximas semanas! É melhor, é!

Nota: este artigo foi escrito seguindo as regras do Antigo Acordo Ortográfico
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