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Quando o Monstro dos After-Eights Ataca

After_Eight_chocolate_thin_(adjusted)

“Look, there’s no metaphysics on earth like chocolates.”

Fernando Pessoa

Eu, não-fã incondicional de chocolate, me confesso! Não faço parte das estatísticas que dizem que as meninas, após um desgosto amoroso, guardam as barras de chocolate junto à embalagem de lenços de papel, refundidos na gaveta da mesa-de-cabeceira.

Porém, com o tempo, aprendi a gostar.

Como em tudo nesta vida, aplico a máxima do “keep it simple”, pois, quanto mais simples é, mais desfruto (deixem-se de ideias, que esta não é uma afirmação com rasteira). Preto, de preferência com uma alta percentagem de cacau e, principalmente, em doses homeopáticas. No entanto, como todas as outras pessoas, não sou assim virtuosa e tenho alguns vícios, sendo que um deles passa por caixas de dois tamanhos, verdes e pretas, com o rótulo de after-eight. Normalmente, consigo tê-las em duas formas lá em casa: seladas, que duram imenso, ou vazias, porque a compulsão não deixa que os chocolatinhos durem mais do que um dia.

Há pouco tempo, arranjei um subterfúgio. Compro as caixas e, quando vou à despensa e as vejo a pestanejar para mim, com um GRANDE sorriso, penso de imediato “tenho de fazer qualquer coisa com isto, caso contrário vai a caixa toda“. Há umas semanas largas, passei por esta situação. Olhei para a caixa e pensei que tinha rapidamente de encontrar uma solução, pois caso contrário não duraria uma hora. Olhei para a minha caixinha das experiências, na qual não pegava há mais de meio ano e decidi que estava inspirada o suficiente para acrescentar mais uma receita à mesma. Escrevi, medi, terminei o doce, coloquei-o no frigorífico e pensei que talvez fosse melhor levá-lo para os meus colegas provarem (lembrem-se: as amigas estão sempre em dieta).

Pensado e feito. Durou até à hora de almoço, com romarias pontuais até à copa de duas, ou três pessoas de cada vez, para o provarem. Até aqui, nada de novo, certo? Naa… errado! É que, por muito que tente, não consigo olhar para uma situação simples sem dar umas boas gargalhadas. É defeito e não feitio.

Nessa manhã, quando cheguei, avisei o meu amigo Tiago, que havia sobremesa na copa. Como disse que ia almoçar fora, pediu-me que guardasse um pouco, para quando chegasse. Assenti. Só voltei a vê-lo mais tarde, perto das 15h da tarde, quando fui à copa, para ir buscar um pouco de doce para alguém que me pediu para provar, e deparo-me com esta imagem: O Tiago, rapazinho com ar infantil, completamente calmo, sem se aperceber que foi apanhado com a boca na botija, de recipiente numa das mãos (completamente vazio) e uma colher de sopa no ar, na outra.

Estaco à porta, olho para ele e digo espantada: “Então Tiago? Isso não era tudo para ti!

Ao que me respondeu, com ar muito inocente, a olhar para o recipiente enorme, que cinco minutos antes, ainda estava meio cheio: “Não?! Foram só duas colheres…

Leite creme de After-eight

Vamos às compras?

  • 1 lt de leite
  • 6 gemas de ovo
  • 200 g de açúcar
  • 40 g de maisena, ou 60 g de farinha
  • Casca de 1 limão, só parte amarela
  • 50 grs de chocolate negro, com pelo menos 50% de cacau
  • 200 grs de after-eight (pronto, ok, tirei 3, ou 4 só para mim)

E agora, preparar

Num recipiente, misture as gemas com o leite, deixando um pouquinho de parte. Junte o açúcar à farinha e misture com o leite que reservou, de forma a deixar a mistura homogénea. Acrescente a casca de limão e a mistura ao restante em um tacho e coloque ao lume.

Vá mexendo sempre até que ferva e comece a engrossar. Logo que comece a borbulhar, retire do lume e retire a casca de limão do creme. Reserve.

Parta o chocolate negro e misture com os after-eights. Leve ao micro-ondas, 30 segundos de cada vez, na temperatura máxima, três, ou quatro vezes e vá mexendo de cada vez que o fizer, até que se torne um creme espesso. Misture os chocolates com o leite creme e envolva bem. Coloque no frigorífico, pois, ao contrário do leite creme tradicional, este deve ser servido bem fresco.

As simple as that!

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Marisa Coelho

Eu, curiosa aprendiz de tachos e letras, inspiro-me nas referências do digníssimo trabalho de outros e dou-lhe o meu cunho pessoal. Conto estórias com personagens, tempos e espaços, condimentadas q.b. E sempre em busca do ingrediente perfeito que muitas vezes se encontra na Dita paixão do que se faz.

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