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Pés de Lotús

Este é o nome por que ficou conhecido o hábito de enfaixar os pés das meninas chinesas para que estes ficassem pequenos, ou seja, com cerca de 10/15 cm. Era uma espécie de tortura a que eram forçadas e as dores acompanhavam-nas a vida inteira. E qual o motivo de tanta barbaridade? Símbolo de beleza.

Ter os pés triangulares representava um sofrimento sem fim e que levava o resto do corpo a ter outro tipo de problemas. Ancas e coluna eram outras partes do corpo que ficavam danificadas em prol dum disparate que nem correspondia à realidade. Infelizmente esta prática manteve-se durante séculos e era para ser seguida à risca.

Em pequeninas, por volta dos 6 anos, os dedos eram quebrados e dobrados para que ficassem junto à sola e assim criavam uma forma côncava e triangular. Depois eram amarrados com tiras de tecido para impedir o seu crescimento e cicatrizar as fraturas. Desta forma não se desenvolviam mais e ficavam com a forma de uma flor de lótus.

Este procedimento tinha uma finalidade, que era conseguir um bom casamento e assim assegurar uma qualidade de vida que não seria possível de outro modo. Aos homens era ensinado que a maior atração sexual seriam os pés minúsculos. Havia uma enorme propaganda nesse sentido e era levada muito a sério.

Tudo começou no século X, durante a dinastia Tang e tem origem numa lenda. O imperador Li Yu, segundo consta, apaixonou-se por uma dançarina que tinha os pés pequenos e foi o suficiente para que a ideia passasse de geração em geração como um símbolo de beleza.

Mais tarde surgiu uma outra explicação e nada tem a ver com a anterior. Seria uma forma eficaz de manter as mulheres, desde pequenas, em trabalhos monótonos, durante muitas horas e que eram executados sentadas, tais como fiar, tecer, fazer esteiras, sapatos e ainda as redes usadas para pescar. Com pés tão débeis seria improvável que se fossem embora da vida miserável que tinham.

Na verdade, o aspeto económico sobrepunha-se ao restante e as raparigas eram enganadas pelas suas próprias famílias pensando que, com tal sacrifício, teriam um bom casamento, sendo que assim mudariam o rumo das suas vidas. Contudo era apenas uma manobra familiar para assegurar o sustento.

Com a industrialização este costume foi perdendo a sua prática e ficando menos praticado. No entanto, houve necessidade de ser formalmente colocado em lei. No século XX o mesmo foi proibido, mas em certas zonas rurais, onde ainda prevalecia a mentalidade mais antiga, nada de alterou.

A tradição chinesa procurou explicar a perpetuação milenar do que começou por ser apenas uma moda. A ela estava associado o erotismo uma vez que, na China, o pé é a parte do corpo mais erótica, apenas sendo visto pelo marido. A rapariga prepara-se para agradar ao seu marido esquecendo-se de si. Contudo, o mais certo seria uma forma manobrada de evitar a movimentação feminina, acrescida de um sofrimento intolerável e bárbaro.

Margarida Vale

A vida são vários dias que se querem diferentes e aliciantes. Cair e levantar são formas de estar. Há que renovar e ser sapiente. Viajar é saboroso, escrever é delicioso. Quem encontra a paz caminha ao lado da felicidade e essa está sempre a mudar de local.

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