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Perenidade. Acto contínuo duma sociedade esgotada pelo medo

“Na dialéctica entre o sonho e a realidade, o indesejável e o desejado, o universalismo e o nacionalismo, a aventura e a rotina, a acção e a passividade, temos tido a sabedoria de conservar viva a esperança de manter a resistência nacional à adversidade e de encontrar o momento oportuno para agir na direcção do saudável encontro com nós próprios, com as nossas raízes e valores.” General Martins Barrento

“É uma coisa curiosa que embora “todos saibam” (e que horrível quantidade de más informações que essa declaração permite circular) que “errar é humano”, a parte da mente que percebe e computa as respostas a problemas e que faz do homem um Homem, é totalmente incapaz de errar.”

L. Ron Hubbard, Dianética*

Mente que erra evolui.

Porém, acção que erra e mente que não compreende, é pouco provável que evolua ou, no mínimo, se consiga transmutar.

Certamente que irá repetir o erro, embora o “que faz do homem um Homem, é totalmente incapaz de errar”.

Porque é que necessitamos de ensinamentos, repetidos, para compreender o que no imediato é percebido como algo que nos incapacita, nos impede de evoluir, nos limita a visão – sentido que nos é imediato à abstracção?

Já me ensinava Alguém que ao óbvio “é preciso ser dito, e pelo menos, três vezes”. Como se a simplicidade do evidente tivesse de ser repetida, continuamente, até que a mente assimile o quão clara é a informação. Curioso, quando numa qualquer porta se pode ler PUXE e o autómato que a quer abrir a empurra inicialmente. Em qualquer local onde passam multidões, é necessário cartazes, planfletos, sinalécticas e afins orientações, para que o transeunte que passa a use, simplificando a sua rotina. Só que não! Tudo o que nos é “dado numa bandeja” para diminuir os constrangimentos de ir de um lado a outro, partilhar espaços, estruturar ou organizar algo, para ser possível um estar em sociedade, com base no ser sociedade, é literalmente ignorado, não cumprido, …, servindo apenas para contrariar a espécie e a inibir de ser anarquista, só porque sim. Complicando as suas vidas e a de outros em redor.

Então, como poderão eventos ocorridos anteriormente, num séx. XX já passado, servir de base para a “em aprendizagem” civilização e, no século que agora decorre, ser ensinamento ou coisa parecida? Para que não se repita, claro! E, permita a evolução dessa sociedade, para que prospere, de forma sustentada?

Fala-se, ou antes, não se fala, registam-se marcos históricos como: a Democracia, a 1ª República, a II Grande Guerra, a Guerra do Ultramar, a Ditadura Militar e o Estado Novo, a adesão à CEE, o euro, a Guerra do Golfo, as pandémicas Gripes – Espanhola (pneumónica), ou a Asiática, o Terrorismo, … e as recessões socio-económicas que se sucederam, …, exemplos óbvios do quanto o século XX nos foi “demolidor” enquanto Mundo, País, indivíduo e sociedade. Porém, simultaneamente, “construtor”, duma consciência global e justiceiro, para os termos liberdade e igualdade… em vários pontos do Globo.

“o Homem deve ser considerado como um ser capaz de percepção. A sua capacidade de percepção depende da sua capacidade de resolver problemas, percebendo ou criando e compreendendo situações.” *

O ser humano sempre se camuflou atrás de máscaras, em vez de assumir a realidade de quem é, como é e onde está no momento. Uma forma clara de “fugir” às responsabilidades que, enquanto indivíduos, e em sociedade deveríamos ter uns para com os outros. Nem que fosse, como um meio de “auto” sustentabilidade do Homem enquanto espécie, para que seja feita a diferença.

Porém, o Homem tem dentro de si mesmo a sua maior falha… que é poder escolher, erradamente, o caminho da sua história. Tantos que o fizeram. E, tantos que o estão a fazer neste preciso momento. A escolher ser a pessoa que ninguém deveria querer ser nunca.

Tantas perguntas sem resposta, ou será que as perguntas estão simplesmente mal feitas e nunca poderão ter uma resposta válida?

Olhando para a história, como é que o século XX ensina ao século XXI como poderá prosperar de forma sustentada? Até agora crescemos através da exploração, do medo e da violência. Ou será através da igualdade, da liberdade e da justiça?

Aprendemos alguma coisa deveras?

Olhando para o passado recente, saímos – ou talvez ainda nem sequer tenhamos saído – duma crise pandémica que levou o mundo inteiro a fechar-se em casa; para entrarmos numa guerra desajustada, de egos e poder; ainda antes de o mundo estar, economicamente estável ante as recessões económicas anteriores a nível global. Portugal foi um deles. A crise económica de 2010 está bem assente nos bolsos vazios dos portugueses, que passados 20 anos perdura.

O que aprendemos com a Gripe Espanhola, no início do séc. XX, que não entendemos e não pusemos em prática com a actual COVID?

O que aprendemos com o Fascismo, com a opressão, com a exploração e a violência física e psicológica, o medo de falar e a injustiça social, que escolhemos agora líderes com idênticos ideais e comportamentos xenófobos?

Pessoalmente, gosto duma perspectiva positiva sobre os eventos que decorreram e uso da liberdade como ponto de reflexão sobre tudo. O que torna curioso os resultados desenvolvidos. Se houve quem tenha crescido sobre um mundo de exploração, medo e violência, conhece a igualdade, a liberdade e a justiça, para agora lhe ser indiferente? E, por outro lado, aqueles a quem a liberdade, igualdade e justiça lhes foi oferecido, conhecem o que cada um destes termos representa, sem terem sentido na pele o seu contrário? Falamos do que se sabe ou apenas se tem opinião sobre isso?

“O retorno é o desempenho total da recordação, sob a forma de imagens, a memória completa é capaz de fazer com que as áreas orgânicas sintam novamente os estímulos num incidente passado.”*

Por vezes, fico com a sensação de que nem sentindo os estímulos novamente se aprende de todo.

Em modo musical, e de forma a vibrar em cada um este texto, deixo o refrão de uma excelente composição que a propósito desta temática se refere. Quando o intelectual e o sensorial se tocam, basta apenas sentir…reflectir…e, quiçá, escolher melhor(?).

I´m starting with the man in the mirror

I´m asking him

To change his ways

And no message

Could have been any clearer

If you wanna make the

World a better place

Take a look at yourself and

Then make a change

 

Carmen Ezequiel

Carmen de Jesus Martins Ezequiel nasce a 8 de Abril de 1975 em Queijas, freguesia de Carnaxide, concelho de Oeiras. É sonhadora, brincalhona, impulsiva, emotiva, com uma força interior capaz de mudar o mundo… pelo menos o seu. Em Vila Boim, bela terra do Alto Alentejo, cresce e nas suas planícies se norteia para fazer da poesia o seu modo de viver a vida. Trabalha numa área à qual nunca imaginou actuar e do contato com o sofrimento e angústias diárias, valoriza o ser acima do estatuto e escreve a sua história com palavras geradas das emoções. É feliz por saber que o que faz tem impacto nos outros. Em paralelo, expõe esses sentimentos e experiências vividas no papel e dá-os a conhecer aos outros participando activamente em colectâneas, antologias, jornadas, artigos de opinião, e outros de âmbito literário e cultural. A autora não utiliza o Novo Acordo Ortográfico.

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