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Para lá do entendimento

Apreciar arte é sempre um tema subjetivo.

Aquilo que para mim é maravilhoso ou absolutamente sublime nem sempre é o mesmo que outros consideram em igual medida. Se pensarmos no caso da arte moderna ou abstrata, que muita polémica gera sempre e comentários como: “Se era para fazer um ponto azul sobre uma tela branca, também eu o faria!”.

Na verdade todos nós teríamos essa possibilidade, se a tivéssemos alcançado antes do artista, antes do pioneiro Miró ter pintado um ponto azul numa tela branca! A arte não é apenas propriedade de uns ou de outros, no entanto, apenas alguns conseguem ver mais além. O talento artístico é uma dádiva a que nem todos têm acesso, são dons que apenas alguns terão. O artista para chegar ao ponto azul na tela branca, teve um longo processo de desenvolvimento artístico que lhe conferiu maturidade para fazê-lo. Ninguém começa pela fim. O percurso de um artística no cumprimento da sua vocação é um caminho longo e muito pouco linear porque a arte e a criação artística vivem em permanente mudança e metamorfose, cada um dentro das possibilidades da sua imaginação e mestria escolhe o seu trajeto.

De qualquer forma, a arte tem a transcendência de nos mostrar a vida de uma outra perspetiva e de nos fazer pensar e sonhar para além do óbvio e do real. Em tempos como estes, que estamos a viver em escassez de partilha artística e em que a cultura parece completamente abafada pelas circunstância, sente-se ainda mais a falta da arte, da novidade e da criação. A vida não se alimenta apenas da realidade, precisamos dos sonhos e da magia que só a arte sabe produzir.

E como é que sabemos se o que estamos a ver ou a assistir está a mexer connosco? Se estamos a ter alguma reação ou sensação?

O barómetro da beleza e profundidade da arte é medido por tudo o que nos arrepia como a voz da Andra Day, uma fotografia do Sebastião Salgado, um quadro do Monet, as palavras do Gabriel Garcia Marquez, um trabalho do Vhils, o som de um clarinete e por ai fora. Quando a pele se arrepia a arte cumpre o seu propósito, quando se verte um lágrima pela emoção do que se está a sentir também. É quando gera alguma coisa em nós que a arte se transcende e nos transcende, vai para além do nosso próprio entendimento e do entendimento do próprio artista, ganha alma e carácter próprios da imortalidade.

Por isso é impossível tornar-se banal ou pleonástica, precisamos da arte para nos sentirmos vivos. Não é um capricho de uma elite ou de meia dúzia de pessoas é uma questão de sobrevivência para a humanidade, tão vital como o ar que respiramos e tão purificadora como o sangue que nos corre nas veias.

Photo by Mr TT on Unsplash.

Sofia Cortez

Sofia Cortez marketeer por acaso, escritora em desenvolvimento e artista por vocação. Não existe uma linha condutora para a criatividade, só a vontade de criar. Entre os seus trabalhos estão uma Exposição de Croquis de Moda realizada 97 no Espaço Ágora, curso de desenho na Sociedade de Belas Artes em Lisboa, a participação em feiras de artesanato com o projeto: Nomes em Papel para crianças, um livro editado em 2018 “Devemos voltar onde já fomos felizes”, várias participações em coletâneas de autores em poesia e conto, blogger no blog omeuserendipity.blogspot.pt, cronista, observadora, curiosa com o mundo e aprendiz de todos os temas que permitam o desenvolvimento humano.

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