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Ciências e TecnologiaSaúde

Os jovens e a diminuição da libido: tendência evolutiva?

A diminuição da libido tem vindo a ser cada vez mais frequente, principalmente nos adultos jovens.

A esta conclusão têm chegado vários investigadores, através de estudos nesta área, como o que foi publicado na revista alemã The Journal of Sexual Medicine. Neste estudo, os autores descrevem que a atividade sexual e o desejo decresceram ao longo do tempo, especialmente entre os adultos jovens masculinos e os homens de meia-idade. Conclusão semelhante foi descrita no estudo Natsal-3 (sigla em inglês para Pesquisa Nacional de Atitudes e Estilos de Vida Sexuais), levado a cabo no Reino Unido em 2016.

Será o desejo um impulso que tende a desaparecer com a evolução da espécie humana? O que estará por trás deste fenómeno?

É indiscutível a existência da pulsão biológica que dá origem ao desejo sexual humano, não sendo necessariamente quando o corpo está no auge da sua vitalidade que este acontece. No entanto, enquanto seres racionais, para além das questões biológicas, os factores psicológicos e culturais são essenciais para que o desejo sexual ocorra.

Do ponto de vista fisiológico, o desejo sexual é desencadeado pela estimulação de uma parte cerebral e é mediado pela libertação de estímulos bioelétricos e de substâncias bioquímicas – algumas das quais que podem actuar como hormonas, como por exemplo a testosterona. Sendo assim, implica a ocorrência de um estímulo que irá induzir uma resposta emocional. A ocorrência de determinados problemas de saúde, associada ou não à toma de certos fármacos, e o abuso de drogas e medicamentos, pode ser uma causa fisiológica para a diminuição da libido.

Do ponto de vista psicológico e cultural, vários autores apontam para as características geracionais inerentes do mundo moderno como as responsáveis para o declínio da libido nos adultos jovens, maioritariamente nos homens. Segundo estes autores, a diminuição do número de homens que vivem numa relação duradoura contribui para que haja uma diminuição na actividade sexual e, consequentemente do desejo. Por outro lado, a existência de uma relação de longa duração entre parceiros sexuais, pode também levar ao mesmo efeito.

A forma como cada indivíduo foi educado para a sexualidade e o meio cultural em que está inserido, vai também ter influência no seu interesse. O acesso facilitado e banalizado da informação sobre o tema, pode também ser um fator importante para as alterações que se têm vindo a observar no âmbito da sexualidade dos adultos jovens.

Não sendo, portanto, possível atribuir as estas mudanças um único fator, há que ponderar que, na maior parte das vezes não é uma disfunção fisiológica que está na origem dos problemas, mas sim uma dificuldade passageira devido a uma dada circunstância da vida do indivíduo.

Ao longo da história, as questões ligadas ao desejo e à prática sexual têm vindo a evoluir e a transformar-se. Hoje em dia, é possível ter experiências sexuais tecnológicas sem a presença de uma figura humana, existem softwares “casamenteiros” que encontram a combinação perfeita com base nas características pessoais, gostos e interesses… Esta evolução vai continuar a acontecer, apresentando vantagens e desvantagens, mas tendo, certamente, um profundo impacto no ser humano e nas suas formas de sentir e interagir.

Referências Bibliográficas:
BEUTEL, ME et al.(2018). Declining Sexual Activity and Desire in Men-Findings From Representative German Surveys, 2005 and 2016. J Sex Med. 2018 May;15(5):750-756
PEREIRA, NM (2014): Sexologia Médica. Lisboa:Lidel
Sociedade Portuguesa de Sexologia Clínica (Consultado a 10 de fevereiro de 2020)
The National Survey of Sexual Attitudes and Lifestyles (Consultado a 10 de Fevereiro 2020)

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