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Os contos já não têm Fadas, nem Dragões

Não sei o que se passa com o mundo em geral. Eu sei que o mundo muda e que tudo evolui, mas considero que existe uma evolução muito pouco positiva nas últimas gerações.

É sabido que as histórias infantis do “meu tempo” tinham muitas situações traumáticas, pelo que dizem, como por exemplo o facto das nossas princesas serem na sua maioria órfãs, que nalguns casos havia o trabalho infantil e outras situações que exporiam situações de violência. Eram histórias de encantar.

Hoje, dizem os especialistas (porque há especialistas para tudo), que as histórias de princesas eram uma expressão de misoginia e de profundo machismo.

Sou mulher. Mãe. Trabalhadora. E até me atrevo a escrever. Nunca senti que as histórias infantis me tenham condicionado a vida, nem me tenham formatado para qualquer questão que faça parte de mim e dos meus valores. Tirando o facto de me fazer acreditar que podiam existir finais felizes.

G. K. Chesterlon disse que os “contos de fadas não dizem às crianças que os dragões existem. As crianças sabem que os dragões existem. Contos de fadas dizem às crianças que os dragões podem ser mortos”.

E, de certo modo, isto resume tudo. Aquilo que eu chamo histórias de encantar, não me enganaram, no sentido de me dizer que não existiam problemas, orfandade, sofrimento, madrastas más, maldade, inveja, mortes, guerras ou mesmo qualquer tipo de monstros e gente abusiva. As histórias de encantar ensinaram-me que, com a ajuda de amigos ou apenas com coragem, podemos lutar contra as bruxas más da vida.

Não é escondendo a violência que a violência deixa de existir, não é negando a existência de machismo ou de racismo que se educam as crianças. Não é fingindo que não existem monstros que ensinamos os nossos filhos que nunca se devem tornar nesses monstros. Podemos acreditar e ensinar que os monstros ou dragões podem ser vencidos e que existem amores, em que tropeçamos nesta vida, que podem ser para sempre, enquanto vivermos.

Não há finais felizes, apenas porque nada é eterno, mas pode existir um “e foram felizes por muitos e longos anos, porque se apoiaram e se respeitaram por toda a vida”.

E é isto que é importante ensinar às crianças: que o mal existe, que o inevitável acontece e que não podemos fugir da existência de dragões. Mas que podemos lutar, ripostar e que podemos sempre olhar para o nosso futuro com esperança. Não com a esperança de ser feliz para sempre, mas com a esperança que nos permita desfrutar dos melhores momentos de cada dia, mesmo quando os nossos dias sejam muito maus.

E há pequenos momentos, todos os dias, que nos fazem sorrir e ser felizes. Pequenos nadas que somados são tudo!

Ana Marta

Ana Marta, nascida em Sintra a 22 de Abril de 1971 e mãe de 3 filhos, desde cedo revelou o seu interesse pela escrita e pela Literatura, começando por escrever pequenos poemas durante a adolescência, época em que estudava Literatura Portuguesa. Ávida leitora desde que aprendeu a ler, sempre consumiu livros dos mais variados géneros literários e escrevia, em diários, textos sobre o que o seu coração sentia. Algumas décadas mais tarde, viria a publicar num blogue intitulado "Inexplicavelmente", textos da sua autoria e que, mais tarde, atraíram milhares de seguidores na sua página de Facebook, atualmente "ANA MARTA". Em 2020, lança o seu primeiro livro "Inexplicavelmente".

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