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O mundo novo do ser prostituto

Potenciar as tecnologias também significa potenciar novas realidades. No caso do sexo pago, não deixa de ser excepção. Considerada “a profissão mais antiga do mundo”, a prostituição vem de outros tempos e já envolveu indivíduos de todas as camadas sociais. Ascendendo à imprensa, iniciou-se, gradualmente, a emergir em redes sociais, originando uma transformação da realidade.

Relativamente à prostituição no seu todo, entendo ser interessante atentar em alguns pontos. Em Portugal, a prostituição é reconhecida como um acto ilícito, no Código Penal, e proíbe todo o tipo de organizações para esse fim específico. Actualmente, assiste-se a um debate em torno da sua legalização, bem como ao reconhecimento da sua vertente profissionalizante. No caso espanhol, segundo artigo do Jornal de Negócios, após a sua integração na legislação, juntamente com o tráfico de drogas, o PIB do país sofreu um aumento em 0,85%.

Recentemente, ocorrem vários acontecimentos deste âmbito, um pouco por todo o mundo. Em França, segundo o ZH Notícias, um conjunto de prostitutas marchou pelas ruas de Paris; aqui, estava em causa uma luta contra o impedimento do avanço da deliberação parlamentar em volta da criminalização da sua actividade. Nos Países Baixos (Holanda), diz a RFI, um grupo de mulheres protestou pelas ruas de Amesterdão contra o encerramento das famosas vitrinas do ‘Red Light District’. Na Austrália, a BBC noticia o surgimento de uma campanha via Internet, onde várias jovens mulheres usaram as redes sociais para revelarem um lado algo escondido: o lado da profissional do sexo.

Agora, partindo desta última perspectiva virtual e cibernética, passemos a uma análise das duas vertentes deste fenómeno nestes círculos.

Por um lado, há que reforçar a sua vertente positiva. Deste modo, começa a ser uma forma destes profissionais do sexo desenvolverem a sua actividade de uma forma mais expansiva e não tão restrita. Normalmente, este fenómeno encontra-se associado à figura da mulher à berma do passeio ou em zonas mais recatadas, quando, na verdade, homens (vulgarmente conhecidos como gigolôs) também o fazem. Assim, passa a ter uma outra divulgação, bem como outras repercussões, tais como a expansão do campo financeiro pessoal, uma maior aposta nas plataformas digitais potenciando novos negócios online, a oferta acrescida à procura. Pode ser visto, ainda, o aspecto conforto, pela acessibilidade à criação de conta, perfil, bem como o aspecto privacidade, por uma restrição de clientes (no caso do sexo via digital até acaba por ser maior a selectividade).

Por outro lado, veja-se a sua parte negativa. Uma vez que se expande para um mundo virtual, vasto, denso e com imensas implicações éticas, impulsiona alguns efeitos contrários. Primeiro, a entrega ao mundo cibernético, que proporciona a mostra a todos os utilizadores, trazendo, por sua vez, possíveis perigos, como fraudes fiscais, entre outros crimes abusivos. Segundo, a criação de perfis, contas falsas, enganadores do cliente, de quem usufrui do serviço. Terceiro, a desvalorização do contacto físico, onde, muitas vezes, permanece activo o sexo distanciado, acabando por ter algumas implicações sociais, ao nível do distanciamento das interacções em sociedade, com a falta da fisicalidade de alguns sentimentos.

Ora com vantagens ora com desvantagens, esta actividade continua a dar que falar. Muito embora a sua imagem comummente negativa, tem havido uma tentativa de dar uma nova oportunidade aos prostitutos em geral, de exercerem a sua actividade, reconhecida profissionalmente e com dignidade.

Subjectivamente falando, o desafio prende-se às decisões governamentais, das quais emerge uma certa desacreditação sobre esta realidade. Porém, a mudança está em quem a quer pôr em prática.

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Pedro Ribeiro

Nascido em 1996, por terras vimaranenses, tem como principal ocupação os estudos na licenciatura de Ciências da Comunicação. Apreciador das relações Media e Sociedade e Sociedade e Cultura, o seu objetivo passará por se especializar na área do jornalismo. Nesse sentido, conta com várias colaborações, a desenvolver atualmente, de forma simultânea: para o jornal 'ComUM', no qual é redator nas secções de Cultura e de Sociedade, para o jornal 'Académico', juntamente com a sua participação semanal no 'Repórter Sombra', onde opina nas áreas de Sociedade, Cultura e Política. No seguimento desta última área, milita na Juventude Socialista, tendo-se revelado publicamente ativista da candidatura de António José Seguro. Além disso, desenvolve um certo carinho pela sociologia, a que se junta a filosofia e, ainda, uma enorme paixão por viagens.

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