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Sociedade

O homem da casa

É verdade que as mulheres desde sempre são as mais afetadas pelas as exigências do quotidiano e em particular da vida familiar, no entanto os homens também não estão isentos de imposições sociais. Não podemos esquecer que os homens cresceram a ouvir que: “os homens são o pilar da casa, quem leva o dinheiro, não chora e não pode falhar ou mostrar fraqueza” e isto, por muito que se saiba que não é assim ou não deve ser, vai ficando gravado no subconsciente.

Do homem espera-se que continue a ser o guerreiro, o suporte, o que nunca falha ou vacila e o que aguenta tudo seja pela força, caracter ou pelo sustento. E assim, não tem um minuto de descanso no seu papel de lutador e vigilante que zela por toda a família e não permite que nada saia dos trilhos. Um papel de quem está de fora e não faz os “trabalhos menores”, como a lida da casa, mais apropriados para as mulheres. Foi deste modo, durante séculos que as coisas se processaram.

Ver um homem a ajudar nas tarefas domésticas ou a cuidar dos filhos era mal visto ou no caso de ter tido o infortúnio de ter ficado viúvo um ato de coragem!

Esta ideia que ainda hoje se combate, sobre o estereotipo do “homem da casa” tem vindo a transformar-se para bem de todos! Felizmente os próprios homens começaram a sentir necessidade de sair deste registo, muitos não se identificam com ele sequer! Hoje têm um papel mais igualitário e cooperante na forma como se educam os filhos e na gestão da esfera doméstica. A divisão entre homem e mulher e o que correspondia automaticamente a cada um, passou a ser a decisão do casal.

Do ponto de vista dos relacionamentos, significou uma mudança profunda entre os casais. Ambos decidem, ambos participam e ambos estão em pé de igualdade. Nem a mulher está dependente economicamente do homem nem o homem da mulher, na construção da vida a dois, ambos partem em pé de igualdade para o crescimento conjunto no relacionamento. Parece tão natural que assim seja, que é quase absurdo que não tenha sido sempre assim.

Não é justo nem para o homem nem para a mulher terem papeis socialmente pré-definidos sem que qualquer um deles possa dizer: Não, eu não quero isto para mim e eu não sou assim! A vida familiar e social tem vindo a mudar e os “papeis” de cada um nós têm se restruturado. Felizmente para homens e mulheres, podemos assumir dentro de uma relação o papel que bem entendermos e que se coadunar melhor com o relacionamento. Os homens podem e devem chorar e as mulheres podem assentar azulejos novos no wc!

Vivemos em profundas transformações. Hoje em família ou na sociedade em geral, espera-se que cada um possa ser como é, sem imposições ou predefinições, livre para escolher ser da forma que quiser.

Photo by DIEGO SANCHEZ on Unsplash

Sofia Cortez

Sofia Cortez marketeer por acaso, escritora em desenvolvimento e artista por vocação. Não existe uma linha condutora para a criatividade, só a vontade de criar. Entre os seus trabalhos estão uma Exposição de Croquis de Moda realizada 97 no Espaço Ágora, curso de desenho na Sociedade de Belas Artes em Lisboa, a participação em feiras de artesanato com o projeto: Nomes em Papel para crianças, um livro editado em 2018 “Devemos voltar onde já fomos felizes”, várias participações em coletâneas de autores em poesia e conto, blogger no blog omeuserendipity.blogspot.pt, cronista, observadora, curiosa com o mundo e aprendiz de todos os temas que permitam o desenvolvimento humano.

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