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O fatalismo da Direita

Obviamente que tenho o dever de respeitar a opinião de cada um. E faço-o, porque sei que não sou, nem nunca serei, o dono da verdade absoluta e porque é na troca de ideias e de opiniões que poderei evoluir como cidadão pertencente a um mundo cada vez mais globalizado. Contudo, não posso aceitar tudo e mais alguma coisa que se vai dizendo sobre o actual estado do nosso mundo porque, tal como tudo na Vida, ou aquilo que dizemos/escrevemos faz algum sentido ou então entramos numa espécie de guerra do disparate onde toda a gente se insulta.

Ora, sendo esta a minha forma de estar, acaba por ser tremendamente complicado aceitar aquilo que apelido de fatalismo da Direita. E quando falo aqui de “fatalismo da Direita” refiro-me aquelas teses da Direita que nos dizem que isto é irremediavelmente assim, porque tem naturalmente de ser.

Dito de outra forma: para esta ala política, as offshore existem, porque sem elas alguns países não teriam capacidade de sobreviver como Estados soberanos que são. Portugal (e outros) são pobres e como tal têm de ser pobres para todo o sempre sob pena de se endividarem até ao fim dos tempos.

Meus amigos e amigas afectos da Direita, lamento, mas acreditem que estão a disparatar, quando optam pela via do fatalismo para defesa da nossa visão do mundo.

Sim. Estão a disparatar, porque, quando dizem que ou o Panamá opta pela offshore, já que, de outra forma, colapsará como país, estão a legitimar as offshores europeias que têm contribuem (e muito) para o vosso outro fatalismo: o de que Portugal é um País pobre e que terá de ser pobre para todo o sempre.

Ou será que me vão dizer que Holanda, Áustria, Luxemburgo, Inglaterra e França só poderão sobreviver como Países se forem e/ou promoverem offshore?

As offshore são a maior “porcaria” que o mundo alguma vez poderia ter produzido. Um mal que é aproveitado pelo lado obscuro das nossas Sociedades para se manter no comando dos destinos do mundo. Em suma estas “aplicações financeiras” servem somente para que os mesmos de sempre se mantenham nos lugares de topo. O exemplo disto mesmo tem sido bem visível naquilo que hoje denominamos de zona euro onde o Norte da Europa tem “esmagado” o Sul da Europa em todos os sentidos.

Ou será que os meus amigos e amigas afectos da Direita acham que é legítimo, por exemplo, a Holanda poder ser uma offshore e Portugal não? Mas porquê razão? Porque Portugal é fatalmente pobre e a Holanda fatalmente rica?

Mas pensem bem na resposta que irão dar a esta minha pergunta e se porventura tiverem resposta pronta para a dita sugiro que percam um pouco do vosso tempo e assistam ao filme “A Queda de Wall Street” (“The Big Short”) do Realizador Adam McKay e vejam onde a teoria do fatalismo da Direita colocou o mundo.

P.S. Offshore e Paraíso Fiscal na prática são a mesma coisa. É só para não me virem dizer que a Holanda, Áustria e Luxemburgo não são offshore. O Grupo Jerónimo Martins – aka Pingo Doce – que o diga!

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