“O dever de deslumbrar”

É o nome do livro editado este ano, para a comemoração do centenário de nascimento de Natália Correia (13.09.1923 Fajão de Baixo, Açores) da escritora e jornalista Filipa Martins. O livro, foi resultado do documentário disponível na RTP Play com o nome “Insubmissa” com dois episódios sobre a poetisa.

Devo confessar que sempre admirei a Natália Correia, mesmo quando não tinha discernimento suficiente para percebê-lo. Lembro-me de vê-la no parlamento, com intervenções inflamadas, o cabelo num coque meio desfeito, sempre muito acesa e assertiva nos seus comentários, mas pertinente e muito à frente do seu tempo! Ficava pasmada a vê-la, sem perceber se era apenas maluca ou se os outros à volta dela, não seriam os malucos por não serem como ela!

Mais tarde, não sei ao certo se pouco antes da sua morte ou já depois, descobri a poesia, estilo de que não sou grande apreciadora. O meu pai ofereceu-me o livro “O Sol Nas Noites E O Luar Nos Dias – Vol 1” do Circulo de Leitores, com poemas lindos e muito profundos que acabou por me ligar por completo a esta figura, tão carismática da literatura portuguesa.

Por estes motivos tive muita curiosidade em ver o documentário da RTP Play, certa que me traria mais informações e me permitira conhecer e compreender melhor a mulher, artista, escritora e figura incontornável da historia cultural do nosso país do séc. XX.

A única informação adicional que me trouxe e que desconhecia por completo era a da pintura. Não sabia que desenhava tão bem, nem que em determinado momento da sua vida produziu muito boa pintura! O que a tornou, aos meus olhos, ainda mais completa! No entanto, a desilusão com todo o documentário, conseguiu sobrepor-se à riqueza de informação que esperava absorver! Apesar de conter depoimentos de amigos e pessoas ligadas a Natália Correia, a forma como tudo é apresentado, com muito ruído de fundo à mistura, é vago.

Por muito excêntrica que fosse, artista, desconexa ou até envolvida numa realidade e meio muito peculiares, a Natália Correia apresentada não me enriqueceu. Ali pareceu-me apenas barulhenta, intelectual, de humores, frágil e sem grande interesse. Apesar de estar sempre rodeada de muitas pessoas, também elas interessantes achei o documentário “sem sal”, sem grande estrutura ou interesse (deixo ao vosso critério).

Espero agora que o livro me dê a conhecer a Natália Correia que gostaria de encontrar.

Nota: este artigo foi escrito seguindo as regras do Antigo Acordo Ortográfico
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Buffy, A Caçadora de Vampiros (1997-2003)

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