O destino da humanidade

A humanidade como um todo, tem um problema muito básico e fundamental: o nosso conhecimento tecnológico e científico ultrapassa de longe a nossa evolução social, psicológica e espiritual.

Embora a nossa ciência e tecnologia tenham certamente progredido rapidamente, a nossa “forma de pensar” e os nossos corações e alma aparentemente não o fizeram. Pelo menos não muito.

De que forma é que esta forma primitiva de estar nos está a levar à nossa própria extinção?

Basta olhar à nossa volta e prestar um pouco de atenção que conseguimos, sem dificuldade, aperceber-nos dos avanços da ciência e da tecnologia. Aliás, sentimos isso no nosso dia a dia, quando os objectos sem os quais já não conseguimos sobreviver ficam obsoletos de um dia para o outro, sejam eles telemóveis, electrodomésticos ou até mesmo automóveis.

Neste contexto, somos forçados a manter-nos actualizados, não só para não nos sentirmos nós próprios obsoletos, mas porque, efectivamente, se não o fizermos, ficaremos completamente limitados, com coisas por fazer e assuntos por resolver porque, hoje em dia, é tudo automático, tudo online, tudo “DIY” (Do It Yourself – Faça você mesmo) e quase tudo ao alcance de um click. 

Na verdade, chega a ser até injusto tendo em conta o elevado número de pessoas na faixa etária acima dos 65 anos que vivem sozinhos, sem qualquer tipo de apoio, a grande maioria sem qualquer conhecimento ou acesso a este tipo de coisas, vendo-se, portanto, impossibilitados de  acompanhar tais evoluções.

Porém, o acompanhamento desta constante evolução, se bem analisado, tem mais a ver com comodidade do que propriamente com necessidade. É muito mais cómodo e rápido fazer um pagamento ou uma compra através da internet do que nos deslocarmos, enfrentar trânsito, filas para o estacionamento e perder um tempo infinito para tratar desses assuntos.

Contudo, mesmo quando preferimos tratar desses assuntos pessoalmente, nos próprios locais deparamo-nos com máquinas, que substituem pessoas, roubando-lhes o emprego e impedindo-nos de interagir.

E esta situação, leva-nos a colocar outras questões pertinentes tais como: 

Será que o não acompanhamento da evolução nos está a levar à nossa própria extinção?

Ou será precisamente o oposto?

Será que esta moda do “DIY” e da “IA” (Inteligência Artificial) não está a modificar o ser humano enquanto ser social, ser pensante, enquanto ser emotivo e ser sensitivo, a levar-nos ao isolamento e, aí sim, a contribuir para a extinção do ser humano conforme o conhecemos?

Obviamente que a tecnologia facilita muita coisa e a ciência ajuda acima de tudo a melhorar a nossa saúde e consequentemente a nossa qualidade de vida. Porém, tudo requer um equilíbrio. Tanto é prejudicial o que é em excesso como aquilo que é por defeito.

Temos vários exemplos de avanços que acabaram por ter retrocessos propositados precisamente por se chegar à conclusão de que não seriam o ideal. Temos o caso da Finlândia onde os livros em formato só digital duraram pouco tempo e retrocederam para os livros em formato físico.

Por outro lado, temos esta espécie de rotatividade de opinião na dicotomia plástico/papel, e de repente coisas de plástico passam a ser de papel e vice versa consoante os danos que vão sendo causados ao nível ambiental.

A fazer frente aos avanços da ciência temos cada vez mais as medicinas tradicionais e alternativas.

Em oposição à tecnologia, temos aquelas pessoas que, a dada altura, largam tudo, fartas do stress, e optam por se mudar para  lugares inóspitos longe de tudo e de todos, completamente “off the grid” (“fora da rede”).

Tudo isto são formas de se tentar alcançar o tal equilíbrio.

Assim sendo, e depois de tantos exemplos flagrantes, acredito que o que levará à nossa extinção não será o facto de não acompanharmos a evolução, pois enquanto tivermos a capacidade de o fazer ainda conseguiremos ter alguma sanidade mental.

A nossa extinção surgirá por culpa de uma evolução desmedida e descontrolada que fará com que, os seres humanos das próximas gerações, de humano tenham pouco e se assemelhem cada vez mais a autómatos, sem emoções e sem sentimentos.

Nota: Este artigo foi escrito seguindo as regras do antigo acordo ortográfico

Share this article
Shareable URL
Prev Post

Por Trás Do Arco-Íris

Next Post

Carnaval da Ilha Terceira – Património Cultural Imaterial

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.

Read next

Perfeição Inacabada

‘Aquele’, poderia ser apenas mais um momento. ‘Aquele momento’. Poderia ser apenas mais um na multidão. Poderia…

Televida

Vivemos cada vez mais conectados tecnologicamente, no entanto, mais distantes fisicamente ou emocionalmente.
a cell phone sitting on top of a table next to a cup of coffee

Consumir até…

Cá em casa, por muito que o frigorífico esteja vazio, há sempre iogurtes “fora do prazo”, dos sólidos e,…