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Num Outro Tom

Vivemos uma fase ideal para apaixonados. É quase impossível irmos ao cinema sem que, em exibição em alguma das salas, haja uma comédia com um tom mais romântico. No entanto, muitas das vezes as premissas básicas são repetidas e ficamos com a sensação de já termos visto algures a mesma história. É também “fácil” rotular um filme de comédia romântica, mesmo que muitas das vezes haja um verdadeiro mundo a ser explorado, reflectido e interiorizado.

Num Outro Tom mostra-nos a história triste, mas ao mesmo tempo resiliente, de duas almas que foram fustigadas pelos dramas da vida.  Gretta (representada pela sempre serena e angelical Keira Knightley) vai viver para Nova Iorque juntamente com o seu namorado Dave (representado pelo vocalista dos Maroon 5Adam Levine), após este ter feito um contrato com uma grande firma de gravação. No entanto e como já é habitual no grande Mundo do espectáculo, quando o sucesso bateu incessantemente na porta de Dave, Gretta acabou relegada na “Grande Maçã”, cidade de alegrias e dissabores. Apesar de tudo, a esperança é a ultima a morrer e é quando Dan (representado pelo talentoso Mark Ruffalo), um executivo de uma discográfica (que está numa fase negra da sua carreira, análoga à sua vida pessoal), ouve Gretta a cantar, que todas as portas se começaram a abrir. Esta película tem um tom muito único, afastando-se, por vezes, drasticamente da comédia para o drama, mas representa, com uma musicalidade muito adequada, Nova Iorque e toda a dinâmica que vai acontecendo nesta caminhada que Gretta e Dan fazem pela auto-correcção, paz e felicidade. Por último, é preciso destacar o talento nato de Adam Levine para interpretar, uma vez que o vocalista dos Maroon 5 nunca teve nenhuma aula de representação e agiu como um verdadeiro profissional. Contudo, de uma forma igualmente incrédula, aplaudir a qualidade de Keira Knightley, que, com apenas duas aulas de canto, surpreendeu tudo e todos com uma voz arrebatadora para o mundo da música.

Não é a primeira vez que John Carney enverda pelas trilhas musicais no cinema, sendo que, em 2006, fez Once, um filme que para muitos tem uma sensação familiar a Num Outro Tom. O filme merece ser visto, revisto e percebido, porque, com cada nota musical que liberta, permite-nos ver a vida num outro tom.

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