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Não cresçam, é uma armadilha!

À exceção de Peter Pan, a fantástica história do menino que não queria crescer, tipicamente, os miúdos têm uma vontade enorme de crescer, querem ser levados a sério, desejam ter a sua independência, o seu espaço. No primeiro ano do ciclo, já estão a pensar como vai ser o segundo e por aí fora.

Esta ansia desenfreada que cada criança tem em crescer está relacionada com a incógnita, ou se quisermos, de um estado de incerteza radical perante o futuro que nos é desconhecido e que nos faz querer desenhar o nosso futuro o mais rápido possível.

Trata-se de um comportamento natural e assemelha-se muito como, quando estamos a conduzir e nos deparamos com um nevoeiro cerrado, ainda que seja desapropriado, mas a tendência é atravessar rapidamente o nevoeiro e inconscientemente isso leva o condutor a acelerar nessa situação. Tal e qual como quando somos crianças e queremos ansiosamente ver o que está por detrás dessa cortina nublada que esconde a vida adulta.

Tens mais de 18 anos. Terminas a faculdade, sais de casa dos teus pais. És adulto. Esperaste a vida toda por isto! Finalmente tens a liberdade para fazer uma tatuagem, assistir aquele tão esperado concerto ou fazer aquela viagem incrível.

Pois é, cuidado com aquilo que desejas… És finalmente dono de ti próprio!

Começamos a trabalhar, batalhamos para construir uma família próspera e harmoniosa. Crescem as responsabilidades e começamos a consumir de acordo com os parâmetros desta sociedade capitalista, vamos seguindo rotineiramente a vida de adultos, com total “liberdade” para fazermos tudo aquilo que estamos condicionados a fazer por motivos socioeconómicos. As conquistas revelam-se bem mais caras em tempo e dinheiro, do que tínhamos ambicionado.

Pois é. Parece que afinal ser adulto vai mais além do que aquele plano sofisticado de voltar para casa às horas que entendêssemos ou ir ao centro comercial comprar aquilo que nos desse vontade. Que ilusão.

Ser adulto. Acordar, trabalhar 8 horas, comer, dormir, repetir. A rotina sufoca, aliada ao peso das responsabilidades adquiridas, muitas delas de forma involuntária, faz-nos parar para refletir. Cuidado. Não cresçam, é uma armadilha!

Em algum momento, qualquer adulto percebe que afinal o seu projeto de vida mais ou menos elaborado apresentava algumas falhas ou foi traído por imprevistos. E ainda que gostemos do nosso trabalho e estejamos realizados em termos pessoais, vamos perdendo alguns sonhos e ganhando algumas frustrações, visto assim matematicamente não haveria muito a ganhar, mas há. Podemos olhar para o copo meio cheio ou meio vazio, depende de exclusivamente de nós.

O que é um adulto senão alguém que já foi criança e é composto de memórias, de uma experiência de vida transformada em sabedoria? Não será, então, em grande parte, o resultado da criança que foi?

Alguns de nós conseguimos preservar aquele jeito leve, embora já desprovidos daquela inocência, mas com a essência da criança que habita em nós. Manter alguns sonhos vivos e uma alma jovem é recomendável, isto claro se o objetivo não for apenas sobreviver… mas sim, viver!

Tal como dizia Walt Disney: “Quem disse que temos de crescer?”

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Ricardo Manuel Santos

Mais que um profissional IT, sou um colecionador de experiências e viagens. Atento à relação entre o progresso tecnológico e inerente evolução social. Critico e opinativo por natureza, procuro sair da minha zona de conforto para evoluir, acredito que a única constante da vida é a mudança. De caligrafia torta e ideias rasuradas vou continuando a escrever o meu próprio destino! Visto-me de paixão e faço o hoje valer a pena, pois tudo é viver. Simples assim.

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