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Na Ucrânia, o terrorismo mundial cessará

O mundo unipolar, que impôs a ordem depois da II Guerra Mundial, está, como tudo na vida, a terminar.

“O presente tem de ser correctamente interpretado, a fim de que se torne possível compreender a história dos tempos que lhe se antecederam”, como afirma Luckács. Não deixa de ser curiosa esta afirmação, vindo de alguém que nasceu num século e morreu noutro, mas a curiosidade não reside no facto de atravessar literalmente dois séculos, mas, sim, no facto de dar a devida importância ao presente, para compreender o passado, porque na realidade, vivemos o presente com o que o passado nos deixou.

A unipolaridade do mundo nunca funcionou. Nunca uma grande potência mundial conseguiu mais que um punhado irrisório de séculos em que se constituiu parcialmente dona do mundo. O passado nunca deixou que o presente de alguém funcionasse dessa forma, sendo que existiram naturalmente potências que dominaram partes do mundo, mas esse domínio nunca foi absoluto, pelo que o unipolarismo não se discute, destrói-se pura e simplesmente.

Por isso, é necessário interpretar correctamente o presente ou corremos o risco de ficar prisioneiros da ignorância e falharmos a construção do futuro, porque o presente é isso que trata – da construção do futuro. Contudo, um presente assente na ignorância, perpetua-se e não constrói futuro algum.

A guerra na Ucrânia é mais do que a simples ideia de uma guerra no sentido clássico de um conflito armado entre nações e com objectivos de supremacia militar, política e económica. A actual guerra no leste europeu é o confronto puro e directo de dois mundos distintos – o mundo ocidental unipolar e o resto do mundo multipolar, pelo que entender esta guerra entre bons e maus, é o primeiro erro capital do ocidente unipolarizado. Não interpretar correctamente o presente obriga o ocidente a ignorar o seu passado, algo que neste século temos sido exímios alunos, e com isso formamos ignorantes que se deliciam a viver um presente sem fim e, naturalmente, sem perspectivas de algum tipo de futuro.

Presentemente a sociedade ocidental recuou tanto na evolução, que brevemente seremos novamente o Império Romano. Já estamos na iliteracia, os povoados (nações) estão ao abandono e os povos (sociedades) vivem de esmolas sistemáticas e em guerras fúteis. Não que o Império Romano fosse multipolar, mas consolidou a multipolaridade, durante cinco séculos, e a unipolaridade do Império Romano foi a sua maior derrota.

De volta ao presente, o futuro constrói-se com o presente e o presente só é possível com o passado. Entender esta dinâmica é hoje uma tarefa digna dos deuses do Olimpo, tal é a falta de conhecimento e de entendimento a que a sociedade ocidental se submeteu.

A verdadeira guerra actual é a guerra da sobrevivência de uma nova ordem mundial e este tipo de conflito vai mais além do que os escritos de Sun Tzu ou Clausewitz. São as duas doutrinas elevadas à potência máxima e a morte que provocam são, no espectro geral, danos necessários de eficiência. É o utilizar dos meios e recursos, para atingir o fim desejado.

Por todo o lado, em especial no ocidente, clama-se pela aniquilação da Rússia e pela vitória da Ucrânia. Este é o espelho da ignorância do ocidente, primeiro, porque não conhecem o passado, não compreendem o presente, e não fazem a mínima ideia de um singelo futuro a construir.

A URSS não se constituía somente num aglomerado de federações. Stalin quando a projectou, fê-la para manter a Europa separada da Rússia, uma zona tampão que impossibilitasse uma nova guerra na planície europeia. Tanto que, durante o seu nascimento (1922), George Clemenceau, primeiro-ministro francês na época, a apelidou de cordão sanitário, com o intuito de separar a Europa ocidental dos bolcheviques.

A tentativa falhada do ocidente em conquistar o império russo na I Grande Guerra e na revolução de 1917, a eclosão da II Guerra Mundial e o esforço do ocidente em conquistar a Rússia, através da Alemanha nazi, levaram novamente a Rússia a planear a longo prazo a sua integridade. A URSS foi e continua a ser a grande vitoriosa na II Guerra Mundial, algo que a demência ocidental não entende.

De 1945 a 1991, a grande planície europeia não viu mais nenhum confronto bélico de escala mundial. Foi com o desmembramento da URSS, que, em 1992, o ocidente lança uma guerra na Bósnia por 3 anos, incita a revolução na Geórgia, que terminou com a intervenção militar russa e o controlo russo na região, e bombardeia a Sérvia e o Kosovo. O que ainda estala de vez em quando essa memória é o último grande confronto armado, iniciado em 2015 na Ucrânia.

Este será o último grande confronto dos idiotas unipolares. Na Ucrânia, morre o velho problema do mundo, a hegemonia ocidental, para bem da sociedade assim será.

Nota: este artigo foi escrito seguindo as regras do Antigo Acordo Ortográfico
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Comments 1
  1. O filósofo citado no texto acima, György Lukács (e não Luckács) foi um grande defensor do marxismo, conceito que ceifou milhões de vidas pela via da fome, no mundo oriental.

    Que prevaleça a hegemonia da liberdade e da paz, e não a hegemonia das potências imperialistas mais vincadas no mundo oriental, onde o povo não pode ter opinião. Onde a palavra guerra é proibida, mas o conceito alimentado e usado pela sede da soberania territorial. Onde se corre o risco de se ser perseguido ou envenenado.

    “SLAVA UKRAINI”

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