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Mea culpa

Este mundo está cheio!

Existem coisas horríveis como a fome, a guerra, a ambição desmedida. Basicamente, tudo proveniente do Homem.

Depois temos a Natureza.

Tudo o que é obra da Natureza é lindo.

É brutal, é gigantesco e perfeito.

Quase tudo.

A Natureza, se não tivesse este animal perfeito cheio de imperfeições a que chamamos Homem, tinha o equilíbrio necessário para a perfeição suprema. No entanto, algo correu mal com o desenvolvimento da raça humana. Poderia ter levado um outro rumo, mas não levou. Houve um desequilíbrio. O animal mais perfeito, tornou-se no mais perigoso ser vivo em todo o ecossistema.

Porquê? Por que é que o que nos torna o ser mais maravilhoso, nos torna também no mais terrível? Por que é que desequilibrámos tanto a Natureza? E gastamos tudo, sujamos tudo, destruímos tudo por uns míseros anos de vida? Por que é que não nos chega o que a Natureza nos oferece e queremos sempre mais e mais?

Há filósofos que dizem que a Humanidade está estragada, pensamento com o qual não comungo: uma coisa estragada em algum ponto da sua existência esteve arranjada e, no caso da humanidade, nunca houve momento em que fizesse jus à Natureza que a acolhe.

Preocupa-me o rumo que isto está a levar, não por mim, mas pelos meus filhos, pelos netos que não sei se vou ter e pelo futuro em geral. Nada no Homem me diz que tudo isto volte atrás e que consigamos engrenar num caminho positivo, numa Humanidade que deixe de lado a ambição, a inveja, a ganância e a falta de amor. Preocupa-me apenas porque sinto que não temos esse direito.

Não temos. Ninguém tem.

Não me excluo de culpas.

Sou culpada, sim.

Faço uma vida normal, sem me privar do que posso ter: conduzo um carro, tenho todos os eletrodomésticos possíveis e, apesar de ter alguns cuidados, faço a minha cota parte de poluição e tenho comportamentos iguais a toda a gente.

Por muita separação de lixo que faça, por muitos cuidados que tenha, sou consumidora neste mundo e nesta sociedade.  Eu sei que há desigualdade e injustiças sociais e nada faço, senão achar que nada posso fazer para mudar o estado das coisas.

Sou culpada. Sou mais uma entre todos os que, resignados, acabam por restringir a sua acção ao seu micro-mundo e esperar que as coisas mudem.

Sinto vergonha quando penso nisso, mas depois sigo a minha vida normalmente, tendo todos os comportamentos que me permita uma vidinha calma e confortável.

Sou humana e imperfeita.

Ana Marta

Ana Marta, nascida em Sintra a 22 de Abril de 1971 e mãe de 3 filhos, desde cedo revelou o seu interesse pela escrita e pela Literatura, começando por escrever pequenos poemas durante a adolescência, época em que estudava Literatura Portuguesa. Ávida leitora desde que aprendeu a ler, sempre consumiu livros dos mais variados géneros literários e escrevia, em diários, textos sobre o que o seu coração sentia. Algumas décadas mais tarde, viria a publicar num blogue intitulado "Inexplicavelmente", textos da sua autoria e que, mais tarde, atraíram milhares de seguidores na sua página de Facebook, atualmente "ANA MARTA". Em 2020, lança o seu primeiro livro "Inexplicavelmente".

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