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Malta da Paz

Gosto de conhecer novas ideologias, novos conceitos de vida. Sou da opinião que só nos é permitido evoluir quando saímos do nosso casulo. Não gosto de estereótipos. Prefiro penetrar no terreno e eu própria tirar as minhas ilações. Sem esquecer, que os meus valores me irão condicionar – sempre. Não há como fugir. Somos humanos.

Já tinha a ideia que a malta do Reggae era malta da Paz. As músicas já o indicavam. Hinos a ideais tão nobres como são o amor, a fraternidade, a amizade, o respeito e a igualdade. Não acredito que haja uma única pessoa no mundo, que não se sinta invadida por uma imensa tranquilidade e satisfação quando escuta Bob Marley.

“Peace and love

Peace and love

That’s all I’m thinking of baby

Peace and love”

Por breves instantes até acreditamos que o mundo é perfeito, verdade? Os problemas somem. Creio que esse é o segredo do Reggae, reduzir os problemas à sua real importância. Foi exactamente isso que constatei na edição de 2014 do Festival Minho Reggae, em Goyán (Galiza).

Rastas, roupas largas, corpos esbeltos, poucos adereços e algumas tatuagens. É deste modo, em geral, que se apresentam à sociedade os amantes deste estilo de música, mas são mais que isso. Muito mais que uma imagem estereotipada.

Amam a Natureza, veneram-na como poucos o fazem. Não te espantes, por isso, quando fores a um evento de Reggae, oferecerem-te um objecto em forma de cone, para depositares a cinza do cigarro, ou enxergares a cada canto caixotes de lixo e cartazes a alertarem-te para preservares o Planeta, o único que tens. Quanto à questão dos copos, claro está, tens que comprar um, que terá que te servir, obrigatoriamente, para todos os dias do festival. Aqui não há lugar para lixo. Se for necessário, relembram-te.

São mesmo assim. Ao ponto de rejeitarem consumir alimentos de origem animal. Consideram os animais como verdadeiros amigos. Se és um carnívoro assumido, pensa seriamente em levar uma marmita contigo, ou vais passar fome. O mais provável é não existir uma única tenda, com bifanas, cachorros quentes, hambúrgueres, ou pizzas. Só há lugar para saladas, sandes vegetarianas e pouco mais. As gorduras, os pneus e as celulites não fazem parte do ADN desta malta.

Se este mundo é a nossa casa, porque não o sentir como tal? Se der vontade até se nada no rio como se veio ao mundo, sem qualquer constrangimento. O verbo de ordem é sentir. Sentir a Natureza, a Música e o Amor. Olhar em volta e dar valor à essência da vida. Viver em simplicidade, com o que basta, e ser feliz. Não é isso o mais importante? Temos muito a aprender uns com os outros e com a “Malta da Paz” não é exepção. Eu aprendi, e tu?

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Diana Rodrigues

Minhota de gema. Distraída. Aventureira. Gulosa. Crítica. Observadora. Anti rotina. Persistente. Sonhadora. Alguém que vê na evolução um objectivo. A escrita? É mais que uma fuga. É paixão. O jornalismo regional e a imprensa online são os intermediários.

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