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Machos Alfa – Masculinidade ou puro machismo nos tempos atuais

Quando pensamos em masculinidade associamos o termo a um conjunto de atributos psicossociais, físicos e comportamentais enquanto o machismo é visto como uma sobrevalorização das capacidades e características físicas de alguns homens na sua visão quase limitada nos tempos atuais, de percecionar a mulher como um objeto sexual e sem liberdade de expressão.

É esta a dicotomia de guerra de poderes entre homens que querem assumir o seu papel preponderante de “machos” perante uma sociedade que os pressiona a serem como são e as mulheres que procuram o seu espaço natural de liberdade e de emancipação.

Nunca pensei muito nestes conceitos aliás, tenho uma ideia de que os direitos devem ser repartidos de forma igual e, sobretudo de respeito pelos valores, origem socioculturais e de padrões de educação. Na verdade, considero que tanto homens como mulheres devem ter os mesmos direitos e total liberdade de se assumirem como seres humanos de pleno direito na sociedade.

Hoje trago a série espanhola “Machos Alfa” da plataforma  de streaming Netflix que vem precisamente retratar, de forma satírica, mas muito real a mudança de mentalidades e do paradigma do chamado “Macho Alfa” face à igualdade de géneros e a chamada “crise da masculinidade”.

Esta série aborda a vida, em tom de comédia, de quatro homens na casa dos 40 anos que são os protagonistas de histórias quase rocambolescas e que eram vistos como detentores de uma posição de controlo e de poder, quer nas suas vidas pessoais, atividade profissional, quer nas suas relações amorosas, mas de repente as suas vidas mudam quase radicalmente perante situações inesperadas que têm que enfrentar, tanto a nível das mentalidades, bem como a nível das mudanças que ocorrem na sociedade.

Estes quatros protagonistas masculinos, numa produção espanhola, que considero de grande qualidade, começam a questionar os fantasmas de um patriarcado de comportamentos ancestrais, apresentando graus distintos de machismo e de masculinidade.

Assistimos, assim, à vida de um pai divorciado que é obrigado a receber a filha adolescente que não se entende com a mãe e começa a controlar a vida amorosa do pai pela aplicação Tinder, um polícia  desgastado, em fase de crise num casamento  com mais de 30 anos com uma mulher que deixou de ver as suas qualidades e pretende viver outras experiências na vida, um executivo da televisão que deixou de ser o “executivo talentoso” para perder todo o protagonismos face à ascensão de uma nova diretora executiva que vai comandar o canal de TV e, por último um proprietário de restaurante que enfrenta as dificuldades de relação com uma namorada que lhe faz uma proposta arrojada  e provocadora muito inesperada.

Esta série vive muito destas quatros histórias de vida de quatro homens na mesma faixa etária, que procuram um caminho de felicidade, mas que se debatem com as ações das respetivas mulheres que vão afetar inevitavelmente os seus comportamentos.

Não posso deixar de referir que, comecei a ver a série casualmente, não estava na minha lista de preferências, mas correspondeu desde o início a uma curiosidade viciante de perceber como acabariam estas 4 personagens distintas.

Posso adiantar-vos que ri muito com as peripécias destes 4 homens, mas também me fez repensar no nosso papel como mulheres e na forma como queremos afirmar-nos na sociedade em que nos movemos e que somos todos indiscriminadamente “esmagados” pelos comportamentos que a sociedade espera de nós.

Esta série, para além de ser uma comédia que diverte bastante desde o primeiro episódio, é um momento para reflexão sobre a cultura machista dos nossos dias, de grande profundidade dramática, com uma narrativa inteligente que desconstrói estereótipos de género e expõe as fragilidades e até vulnerabilidades por trás da fachada de masculinidade dominante.

Ao ridicularizar certos comportamentos considerados “machos alfa“, a série convida os espectadores a questionar e repensar padrões enraizados na sociedade.

O humor é muito utilizado como uma forma poderosa para criticar os aspetos mais negativos da masculinidade chamada tóxica, o expectador ri-se e reflete sobre a polémica instalada.

Uma série de 10 episódios criada pela dupla de produtores espanhóis Alberto Caballero e Laura Caballero que convida a uma segunda temporada, quem sabe também interessante e que prenderá o espetador no desenvolvimento da trama e incita-o a receber lições.

Do elenco destacam-se os atores espanhóis Raúl TejónGorka OtxoaMaría HervásNathalie SeseñaKira MiróMar Saura e Petra Martínez, entre outros.

Em suma, sugiro que vejam e acompanhem esta série divertida, agora nos tempos da quadra festiva do Natal, que desafiem e pensem nos valores tradicionais que são descritos e que “mergulhemos” fundo nos nossos papéis, enquanto homens e mulheres de sociedades ditas evoluídas e modernas.

Nota: este artigo foi escrito seguindo as regras do Antigo Acordo Ortográfico

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