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M E S S I A H

e se fosse Verdade?

Nós estamos, simultaneamente, na melhor época da humanidade e na pior. Tão depressa sentimos que tudo em nós e em redor marcha uníssono em frente, como subitamente um grande atrito emperra as nossas articulações. Há ao mesmo tempo qualquer coisa que nos desacompanha e qualquer coisa que nos anima. Há caminhos inteiros que terminam subitamente e não há caminho inteiro e vitalício. E nós desejamos francamente acertar com a direcção única e onde o único obstáculo seja de verdade o mistério do futuro.

José de Almada Negreiros (São Tomé, 7 de Abril de 1893 – Lisboa, 15 de Junho de 1970), escritor e artista, in Textos de Intervenção

Há na leitura dos Clássicos uma certa sabedoria intemporal, que regista o quanto as civilizações caminharam, evoluíram, o tanto que as sociedades conseguiram e o ponto actual que atingiram. Porém, simultaneamente, a certeza que o tempo é cíclico e, se repete continuamente, trazendo os mesmos obstáculos que o passado nos vincou e, que o futuro permanece, ainda assim, misterioso.

Messiah” é uma série de 10 episódios, do canal de streaming Netflix, de 2020, provocadora, intimista e de suspense, assim referida na sua designação.

Em cada novo episódio, a trama do seu desenvolvimento leva-nos a ficar retidos no sofá e atentos ao ecrã que, em cada acção nos tira o fôlego, enche de curiosidade e cria dúvida. Como deve ser um bom filme de suspense e intriga. Acrescento que, embora ficcional e que em nada se identifique à história do Cristianismo, facilmente se confunde com a profecia do Novo Testamento. Caímos em tentação de acreditar, única e exclusivamente, que esta é uma série que apenas provoca as Religiões, as Políticas e os Territórios do Mundo inteiro. Se, por um lado, há os que a vêem como fake news, teoria da conspiração ou ataque dirigido à Igreja; outros há, que se alimentam dela encontrando similaridades com os textos do Livro do Apocalipse.

Pessoalmente, considero a série um alerta e uma abertura de consciências, para uma Civilização mais humanizada, capaz de respeito a si mesma e aos outros e, de que tudo o que é maior do que a própria Humanidade, nem sempre tem resposta porque vai para além da compreensão. Infelizmente, não há nada na história da História, ou alguém, no Mundo inteiro que tenha conseguido alterar os comportamentos e as atitudes dos povos, próprios duma necessidade mundana e de idolatria ou, por “ouvir os falsos mestres, defendendo a apostásia, a imoralidade, etc.” Apocalipse, As Sete Cartas, 2, 1-3, 22

Nem mesmo aqueles que seguem os profetas já conhecidos. E, esta é a triste certeza que manda no mundo, porque a mensagem de todos eles é a proclamação do amor e da verdade. Esquecido e camuflado nas acções do Homem que se auto-destrói continuamente.

As pessoas perderam a fé. Os que acreditam assumem uma postura exagerada e fundamentalista que se afasta das reais intenções dos preceitos e normas que cada uma aclama. Preferem-se os novos estados de ebriedade positiva, misturando o desenvolvimento pessoal e estádios de influência, regados com excesso de mística e paranormalidade, apelidando o Universo e o Cosmos como verdade absoluta duma fé existencial. Ateístas que se denominam e assumem um papel de ser o Mestre de todos os mestres, título e estatuto que lhes dá poder.

Olhando atrás no ciclo da História, por mais que se evolua o Tempo e no tempo, permanecem as acções nefastas do homem que, cíclica e continuamente, se repetem.

Ao ver esta série, surge a questão de, se Jesus Cristo surgisse no Mundo nos dias de hoje, como convenceria os povos que era o verdadeiro Profeta? Saberia lidar com os avanços da tecnologia e a ridícula existência de “fake news”? Como provar que era o Messias e como provar que não o era?

Se, segundo as escrituras sagradas, “a segunda vinda de Jesus será Glória e para resgate dos crentes à eternidade”, como chegar ao homem moderno, facilmente sugestionável e que acredita em qualquer tipo de doutrina, qualquer tipo de marketing de influência, qualquer rede (=trama) social que absorve o quotidiano como verdade única?

Se o “invisível é essencial aos olhos”, questiono sobre a capacidade de se acreditar em algo ou alguém que, nos tempos actuais, nenhum homem viu ou privou, como o Messias Profeta que foi Jesus Cristo, toda a história que o envolve e, dificilmente, ou imediatamente, seria reprovado ou censurado como existência, caso agora voltasse a aparecer. É absurdo este estupidificado estado de coisa, uma dúbia certeza que se cria, mesmo que olhos nos olhos, fosse uma eventual verdade.

Messiah” é uma série dramática criada por Michael Petroni que conta a história de uma agente da CIA (Michelle Monaghan) que investiga um homem carismático (Mehdi Dehbi) que desencadeou um movimento espiritual, provocando agitação política. Uma história fictícia não baseada em factos reais. Entre outros, fazem parte do elenco John Ortiz, Tomer Sisley, Melinda Page Hamilton, Stefania LaVie Owen, Sayyid El Alami, Jane Adams, Wil Traval e Fares Landoulsi.

Em cada episódio, o próprio título é por si só uma analogia aos ideais do que é ser Messiah num mundo desacreditado na humanidade. (1. Aquele que tem ouvidos; 2. Tremor; 3. O Dedo de Deus; 4. Julgamento; 5. Para que eles não vêem; 6. Nem todos dormem; 7. Aconteceu como foi dito; 8. Força Maior; 9. Deus é maior; 10. O salário do pecado).

Ainda que sendo uma série ficcional, é rico em conteúdo teológico e simbólico, talvez até, uma Revelação, cujo termo em grego, significa “apocalipse”.

Lê-se, na introdução ao Livro do Apocalipse, que “o género apocalíptico caracteriza-se por imagens grandiosas e simbólicas, constituídas por elementos da natureza e apresentados em forma de visões… típico dos períodos de crise, de perseguição.” Próprio de uma mentalidade e visão semita que; em oposto à convicção aristotélica, cujo pensamento é linear – silogismo, conclusão; “pensam dum modo circular, em forma de espiral, e exprimem-se através duma sucessão de imagens diferentes que uma e outra vez voltam sobre o tema em questão, explicando novos aspectos.”

Escrevo, como conclusão, que “Messiah” é um chamamento aos valores e ética moral como bases para uma visão globalizada e interracial, um despertar para o que se passa no mundo, um estar atento ao ambiente que nos rodeia, um acreditar na Humanidade e uma esperança, ainda que ténue, de que é possível Ser e fazer diferente.

E, tu, neste momento de crise, acreditarias ou serias juiz e carrasco?
Cada um agirá com o que tem no coração.

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Comments 2
  1. 👏👏 Aparecem tantos profetas, que a questão é qual o verdadeiro e como se enxerga. Nos nossos dias a multiplicidade de caminhos manipula a verdade. Os valores da vida e da essência do ser são substituídos pela aparência, pelo proveito próprio e tudo o que isso implica.

    1. É como digo no fim: cada um agirá com o que tem no coração. Não estar à espera que alguém lhes dite a Verdade! 🙂

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