Jovens e Velhos: Incompreendidos ou desatualizados?

«A idade é apenas um número»; «a idade não define quem somos»; «isto no meu tempo não era assim». Estas são algumas expressões que ouvimos relativamente à idade e à diferença de gerações.

Afinal o que é, hoje, ser-se jovem?

Cada vez mais, nos deparamos com notícias e imagens de pessoas mais velhas a fazerem coisas pouco comuns para a sua idade. Veja-se o caso desta recente: «Idosa de 104 anos salta de paraquedas e bate recorde mundial.» A senhora em questão não fazia paraquedismo desde miúda, não. Começou quando completou cem anos! No dia 1 de outubro realizou um salto de 4100 metros de altitude. O que ela disse assim que pousou no chão, depois de um salto que durou sete minutos? «A idade é apenas um número.»

A realidade é esta: Há pessoas da geração dos anos 20, 30, 40, 50 que são jovens.

A maneira de pensar, estar e ser é que demonstra a verdadeira idade, a do espírito. Claro que certas maleitas surgem com o passar dos anos, mas não terão algumas pessoas com trinta, quarenta etc. também? Nem toda a gente mais velha usa óculos, ouve mal ou tem problemas nas ancas e joelhos. Alguns mais novos também têm. E quanto à mentalidade? Há pessoas novas que parece que já nasceram velhas. Estão sempre a queixar-se, a reclamar, arranjam problemas onde não existem… e por aí adiante. Acho que todos nós já conhecemos alguém assim. Por outro lado, também existem os que têm cabelos brancos e muitas rugas, mas são «jovens de cabeça». Ainda se divertem, brincam, riem, não se levam demasiado a sério e são uma deleitosa companhia.

Porém, sentir-se-ão os jovens, de número, incompreendidos pelas gerações anteriores? Bem, haverá uns que sim e outros que não. Apenas posso falar por mim e pelos meus filhos, um em fase adulta, um adolescente e outro ainda criança.

As diferenças são reais. São a nível das tecnologias, das redes sociais, da liberdade sexual, da moda, da alimentação, da violência, do respeito e das alterações climáticas.

Os Tik-Tokers, as Influencers, os Bookstagrammers, os viciantes jogos de computador, o cyberbullying, a inteligência artificial (AI), as terminologias dos Youtubers, as siglas em inglês como: POV, FR, FIC, Lowkey, SMT, TFW que a maioria desconhece, mas as camadas jovens sabem. São, também, no geral, as respostas tortas aos pais que antigamente eram mais raras, muito mais raras. A exposição despudorada das escolhas sexuais, a identidade de género não binário, as roupas que algumas parecem trapos, a comida fast-food, as consequências nefastas das alterações climáticas, e, provavelmente, outras que não me ocorrem.

Infelizmente, as pessoas mais velhas que não têm acesso a um computador, e-mail e outro tipo de ferramentas comuns, atualmente, sentem dificuldade em determinados serviços e acessos. Para muitos, as novas tecnologias são uma autêntica dor de cabeça exasperante.

Considero-me uma pessoa jovem, apesar de gostar pouco de tecnologias. Prefiro passeios ao ar livre e um dia na praia do que em frente a um computador. Prefiro ser eu a cuidar de certas tarefas do que ter um robot a fazê-las.

Fui jovem, assim como a música «Used To Be Young», da Miley Cyrus, que diz: «I used to be crazy. I know I used to be fun. You say I used to be wild. I say I used to be young»/«Eu sei que costumava ser louca. Eu sei que costumava ser divertida. Tu dizes que eu costumava ser selvagem. Eu digo que eu costumava ser jovem». E isto é possível em qualquer geração. Sei que a minha avó também teve as suas frescuras e aventuras.

Não sei se existem muitas diferenças para quem foi jovem há trinta, quarenta ou cinquenta anos atrás. Há quem tenha cometido loucuras e arriscado nos anos 20 e quem hoje, com vinte anos, não o faça. Há quem fosse aos bailes à noite e há quem nunca tenha ido a uma discoteca. Tudo depende da idade mental, da saúde e da capacidade de ajuste.

Compreendermos as gerações atuais e as atuais entenderem as antigas é, na minha opinião, apenas uma questão de empatia, inteligência e adaptação adequada à evolução da vida. Independentemente de concordarmos ou não com determinadas atitudes, reações e práticas, que são, também, fruto de todas as alterações sofridas na sociedade, no mundo.

Nota: Artigo escrito seguindo o Novo Acordo Ortográfico.
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Comments 2
  1. Muitos parabéns minha querida ❤️
    Bela reflexão sobre o ser jovem independente da idade!
    Dia feliz, beijinho 😘 🌹 🍀 🌻

  2. Muitos parabéns minha amiga querida.Adorei o modo como abordaste um tema tão discutível nos dias de hoje.
    Sabes que adoro ler-te!
    Muitas felicidades e Sucesso sempre 🌷

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