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Henrique Medina Carreira

Henrique Carlos de Medina Carreira, advogado e consultor fiscal, ex-ministro das finanças, nascido em 1931, na Guiné-Bissau, falecendo em Julho de 2017, em Lisboa.

HMC deixa uma obra vasta, focada sobre a teoria económica e fiscal, sendo, no entanto, a sua primeira obra literária, sobre o Direito Empresarial (1972), tendo esta sido a única que se debruçou sobre a complexidade do Direito, a sua área de formação académica.

HMC foi (e talvez ainda em alguns círculos o ainda seja) apelidado profeta da desgraça, pessimista e até demagogo. Não sendo um génio literário, muito menos um escritor de contos de fadas, deixa, contudo, um acervo de obras, que se tornaram, de certa forma, e para alguns círculos, obras de interesse público. Mas não só as suas obras escritas, como as suas intervenções públicas, e alguns programas que passaram na televisão, a que deu corpo e alma.

HMC foi, especialmente no início deste século, uma das vozes mais negativistas acerca de Portugal e da classe política, hoje seria para uma vasta franja da população nacional, um mero negacionista, alguém despojado de intelecto e incapaz de reconhecer o mundo de fantasia e ilusão, que se vive presentemente, HMC vivia no mundo das realidades, viveu sob os auspícios do seu vasto intelecto, e sem ser nenhum vidente ou outro charlatão equivalente, desenhou com correcção, propósito e fundamento, a actualidade que se vive hoje.

Da sua vasta obra, recomendo (a quem quiser largar o vício de se iludir), quatro obras, que considero úteis primeiro, e depois esclarecedoras dos tempos que se vive, li as quatro em 2017, no ano em que morreu, não porque o desconsiderava antes, simplesmente cometi o erro de iludir-me, com um facto ilusório que HMC, seria imortal. Até 2017, segui a sua diáspora informativa, através dos seus artigos publicados e das suas intervenções televisivas, mas os livros são o seu melhor desempenho, sem dúvida alguma.

Escritos de uma forma práctica, no entanto, complexos, pragmáticos, no entanto, fundados, sintéticos, no entanto, abrangentes. HMC foi uma excepção na regra da vida pública de Portugal, dificilmente, pelo menos num futuro próximo, nascerá uma figura equivalente em Portugal, o mesmo HMC, indirectamente assim o indicou por diversas vezes, o descalabro que a educação tomou como rumo, impossibilitaria qualquer ressurgimento intelectual equilibrado, e livre das amarras que o acorrentariam.

O primeiro título que recomendo, é “O dever da Verdade”, em co-autoria com Ricardo Costa (irmão consanguíneo de António Costa), um livro difícil, porque o realismo é tudo menos agradável, li (e possuo, como os restantes) a 4.ª edição, com prefácio de Manuela Ferreira Leite, um livro que continua tão actual, como o era na época da sua concepção.

O segundo, “Portugal que Futuro?” Na 3.ª edição, é mais um debate transcrito, que um livro, Eduardo Dâmaso e HMC debatem abertamente sobre o futuro, e qual o tempo das mudanças inadiáveis necessárias, desde o desemprego aos salários, das pensões, há pobreza, dos impostos ao endividamento hipotecário futuro.

O terceiro título “O fim da Ilusão”, na 4.ª edição, este livro é especial, é uma concepção física das previsões e mensagens, que HMC transportava, o título é perfeito, tal como o conteúdo que carrega. Um must have em qualquer biblioteca privada.

Por fim, o “Olhos nos Olhos”, 4.ª edição, em coautoria com Judite Sousa, um resumo do programa que deu o título ao livro, e que durante algum tempo esteve no ar, televisionado, a transposição para o formato escrito de oito temas debatidos no programa; a crise e a segurança social, com Bagão Félix, como fazer crescer a nossa economia, com Daniel Bessa; crise e social-democracia, com António Barreto; Portugal: ontem, hoje e amanhã, com Manuela Ferreira Leite; A economia portuguesa, a globalização e o euro, com Jorge Ferreira do Amaral; a saúde em Portugal, com Isabel Vaz; A corrupção, com Paulo Morais; o poder político em Portugal, com Paulo Otero, e finalmente, estado social e demografia, com Maria João Valente Rosa.

Ainda que, o mote deste artigo seja sobre um livro que tenhas lido, e ao escrever sobre um autor, não tenha escalpelizado um livro, nem neste caso, os quatro que aponto, entendo que, os livros são primeiro que tudo, dos seus autores, e depois dos seus leitores, porquanto o autor é o promotor do seu conteúdo, e os leitores os donos dos seus desfechos. É mais útil nomear o autor e a sua corrente de escrita, e deixar aos possíveis leitores o seu próprio entendimento da obra, ou obras, aos leitores que conhecem as obras, não existe necessidade de a escalpelizar, os mesmos já o fizeram, tal como eu o fiz.

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