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Artes

Gritou-se: Mulher!

A carta, de Mónica Calle.

Mónica Calle, escreveu uma carta, que me foi entregue pela sala online do Teatro Nacional D. Maria II.

Ao abri-la, ouvi o murmúrio de um grito calado pelo tempo. Adivinhava-se desde logo, a revolução pacífica de um ser que ainda tem, nos dias de hoje, de lutar pela igualdade, pelos seus direitos. Que cumpre desde sempre com os seus deveres e trata dos deveres dos outros. Um ser que presenteia o mundo, todos os dias, com vida. Um ser que luta e sempre lutou por ele e contra ele, contra os outros e pelos outros!

Retirei do envelope a carta, escrita sem rodeios ou floreados… uma escrita nua, crua.

As gotas de lágrimas e suor espelhadas naquele papel de anos, cujas linhas diversas, desenhadas de todas as formas e belezas, perfeitas também pelas imperfeições e inseguranças agora seguras, eram história, monumento. São notas musicais, outrora entorpecimento. São presente e possivelmente futuro… são vida!

Mónica pediu que se visse para além do corpo, e no palco só vi alma, determinação, união, foco e entrega.

Eram 35 artistas, despidas de preconceito naquele palco, também ele nú, sem qualquer tipo de feitiço ou encantamento. 35 mulheres. Uma marcha. Uma mensagem. Entre o elenco, 12 músicas profissionais, música tocada ao vivo, cantada em uníssono por 35 vozes determinadas a alcançar a mesma meta, fosse ela qual fosse, dispostas a ultrapassar juntas qualquer obstáculo que surgisse, e acreditem, foi visível na cara destas artistas, este obstáculo cada vez mais evidente. O cansaço, a resiliência, a resistência…  No final, a despedida… a vitória!

Recebi esta carta como membro de um público, e ansiei diversas vezes subir a palco, e ser orgulhosamente, parte do elenco.

O espetáculo A Carta, é produto de um processo de pesquisa que durou 7 anos, intitulado de “Ensaio para uma cartografia”.  Mais do que um abraço entre a dança, o teatro e a música, trata-se de um abraço entre uma equipa que marchou, superou, sofreu e venceu como um só.

Mónica Calle escreveu-nos uma carta e, com ela, gritei, gritámos, gritou-se: MULHER!

Ficha Técnica: A Carta Direção: Mónica Calle

Com: Ana Água, Ângela Flores Baltazar, Beatriz Almeida, Berta Vidal, Brígida de Sousa, Bruna de Moura, Carolina Varela, Cire Ndiaye, Cleo Tavares, Eufrosina Makengo, Inês Pereira, Inês Vaz, Joana Campelo, Joana Santos, Joana de Verona, Kristina Van de Sand, Lucília Raimundo, Madalena Rato, Mafalda Tuna, Maria da Rocha, Maria Inês Roque, Mariana Correia, Mariana Sardinha, Marta Félix, Miu Lapin, Mónica Calle, Mónica Garnell, Roxana Ionesco, Sara Miguel, Sílvia Barbeiro, Sofia Dinger, Sofia Duarte Carvalho, Sofia Miguel Castro, Sofia Santos Silva, Sofia Vitória.

Direção musical: Martim Sousa Tavares

Desenho de Luz: José Álvaro Correia

Assistência de Encenação: José Miguel Vitorino

Produção Executiva: Sérgio Azevedo

Produção: Casa conveniente/Zona Não Vigiada

Coprodução: Teatro Nacional D. Maria II

Telma Casta

Telma Domingues, 28 anos, Barcelos. Escreve desde muito pequena e sempre viu na escrita um refúgio. Tirou licenciatura em Teatro e Artes Performativas, e mestrado em Ensino de Teatro com especialização em teatro e pedagogia do oprimido.

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