Graças a Deus que existe a Grécia!

Quem tem por hábito acompanhar a minha escrita sabe bem qual a minha posição relativamente ao problema Grego. Contudo, é-me difícil ficar quieto, calado e mudo, quando reparo que os Gregos vencem mais uma dura e árdua batalha contra o sistema vigente.

Porém, cá pelo nosso pequeno burgo em vez de nos congratularmos com tal, colocamos antes a notícia num cantinho da capa de um qualquer Jornal para que ninguém ouse reparar na coisa, ou não estivéssemos nós em ano de eleições onde tem de parecer que a Coligação que nos (des)governa há já quatro longos e penosos anos fez muito e bem.

O facto de os Gregos terem demonstrado, mais uma vez, que no Mundo da Alta Finança vale tudo, a meu ver, algo que deve ser explorado ao máximo.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) foi criado para ajudar os Países que, por alguma razão, se encontram próximos da bancarrota para que situações como a que a Alemanha do pós 1.ª Guerra Mundial não se repitam, mas o que realmente acontece é o FMI funcionar, em todos os aspectos, como um agiota. Que o digam o Equador, Bolívia, Argentina e outros Países onde a dita instituição teve de fugir duma população enraivecida e sem nada a perder com ajuda de um Helicóptero.

A fórmula que o FMI aplica nos Países intervencionados é sempre a mesma: paga o que deves, nem que para isto tenhas de fazer “eclodir” a tua Sociedade. Não é por mero acaso que os Gregos escolheram um Partido Radical para governar o seu País nos próximos anos, algo que, por “coincidência”, também sucedeu nos Países onde o FMI aplicou a sua brilhante fórmula de “recuperação, ajustamento e desenvolvimento”.

Desenganem-se aqueles que pensam que as Instituições Europeias seguem um procedimento diferente para o mesmo “problema”. Muito pelo contrário! Até fazem pior, pois nestas reina a hipocrisia. Senão vejamos um exemplo prático: se porventura a Comissão Europeia/Parlamento Europeu levar a cabo alguma iniciativa legislativa que viole a Constituição Alemã é o fim do mundo e não se faz nada, mas se a mesma iniciativa violar a Constituição de um dos Países da Zona euro que tenham sido intervencionados já não há crise, porque os Credores têm de receber e porque está em causa o bom nome do País.

Tudo isto são temas que deveriam ser devidamente debatidas por todos os sectores da Sociedade Portuguesa. Tudo isto são factos e não tentativas de fuga para a frente como muitos querem fazer crer, quando opinam sobre a questão Helénica.

Portugal foi o primeiro País do Mundo a ter coragem suficiente para se fazer ao mar e descobrir o Planeta, enquanto a Europa da altura se remetia para a tese de que a Terra era plana e que o Sol girava em torno desta, mas uns quantos séculos depois deixamos de ser audazes e corajosos para agora passarmos a ser os bons rapazes que alinham nos disparates todos que nos colocam à frente…

Graças a Deus que existe a Grécia!

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