Crónicas

Força, foco, fé e… Unicórnios

Há coisas que me inquietam e sobre as quais despendo um pouco de tempo a divagar. Entre essas pertinências que me assolam a alma estão os vocábulos usados pelos instrutores de fitness. Aquilo é gente do demo, já sabemos. Estudaram directamente com Belzebu, também já estamos cansados de saber. Agora, que têm uma realidade paralela cor-de-rosa onde moram unicórnios com crinas de arco-íris e chifres dourados… Essa é nova.

Compilei, portanto, algumas expressões catitas que ouço quase diariamente e que, com certeza, fazem parte do processo criativo de quem brinca com o exercício e faz dele o que quer. Vejamos:

“Está quase!”

É a maior mentira de todos os tempos. Aliás, é mais fácil acreditar que a terra é plana do que no “Está quaseeeee!” de um professor de fitness. Nunca “está quase!” e quando efectivamente está mesmo quase, ainda faltam 3.256 segundos para acabar.

“Eu acredito em ti, tu consegues!”

Pel’amor à Santa, senhores! Se nem eu acredito em mim, porque raio iriam vocês acreditar? E como é que alguém acredita que é possível fazer o pino em cima de um BOSU? Ou simplesmente correr meio quilómetro? Deixem lá as frases motivacionais para o Chagas Freitas, em mim ninguém acredita. Só se eu deixar.

“Só mais quatro!”

Como assim “só” mais quatro?! E as outras 5.367 vezes? Não contam p’ra nada? Não chegam para o menino, não? Alimenta-se de séries infindáveis, é? E ir ali ver a vista, não?

Neste capítulo, se ouvirem um “Só mais óitó!”… Fujam. Inventem uma dor na barriga da perna, uma cãibra no dedo mindinho, vale tudo, mas desapareçam da sala. Fica a dica.

“Aperta e acelera”

É assim, gente marada do fitness, há duas verdades universais: chocolate branco não é chocolate e acelerar com carga não é exequível. OU se coloca carga OU se acelera. Os dois, não dá – já diziam os DAMA.

“Quero mais!”

Olha, eu queria um bife com batatas fritas, ovo estrelado, arroz e um copo de vinho branco. Fresco, se faz favor. Não dá? Então cala-te.

“Qiéquéisso?!”

O Google diz que é uma música de um qualquer DJ brasileiro de 56ª categoria.

Ah, espera! Estás a falar do peso que trago aos ombros? Meu filho, cada um só carrega a cruz que consegue suportar – já o disse Deus nosso senhor.

E o problema, o verdadeiro problema, é acreditarem piamente no quão simples e fáceis são as suas ordens. Colocam o six pack no fogo em como nada do que lhes passa pela cabeça é impossível e em juram em prancha lateral que tudo é possível com dedicação, foco e persistência.

Nós? Nós acabamos com o stock mental de impropérios assim que ouvimos o clássico “acabou o aquecimento”, enquanto levamos com chibatadas de burpees no lombo e aguardamos a vergastada dolorosa das cordas militares. E quem não o fizer, não sabe, com toda a certeza, o que custa a vida.

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Andreia Santos

Parva a tempo inteiro, blogger nas horas vagas.

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