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Extrema Direita em Portugal

Terça- feira, 16 de fevereiro, 10h da manhã e, como de costume, após o café vou ver as notícias on-line nos jornais e me deparo com esse tema em destaque:

«Relatório europeu alerta para risco de “radicalização” e “infiltração” da extrema-direita em Portugal»

Quando decidi sair do Brasil e vir para Portugal, eu tinha um sonho (e ainda tenho) de fazer um mestrado em Ciências Políticas aqui. Primeiro, porque sinto falta de estar em uma sala de aula, segundo, porque as disciplinas (cadeiras) do curso sempre me chamaram atenção e despertaram interesse. No entanto, eu sabia algo sobre política em Portugal?  Claro que não.

E mesmo sem entender muito esse universo sempre achei e acho politica muito importante para nossas vidas. Talvez por vir de um país também democrático, ao menos na teoria, como o Brasil eu imaginava que presidentes fossem iguais em todos os países que tem o seu chefe de estado eleito pelo voto popular mas não, descobri um primeiro ministro e um parlamento inteiro junto à democracia de Portugal.

Hoje, depois de 4 anos vivendo no país e acompanhando diariamente e com muito mais foco as notícias e decisões do governo português e de várias partes do mundo, percebi que há muitas diferenças em governos democráticos. E aprendi também a acompanhar as decisões de outros governos pois percebi que elas interferem muito na minha vida principalmente enquanto imigrante e justamente por isso pensei em escrever esse texto para falar sobre a notícia acima. E quero deixar aqui dois trechos do relatório que foram compartilhados pelo jornal Expresso.

“Os protestos começaram com algumas dezenas de participantes, mas já conseguem juntar algumas centenas de pessoas.”

“A infiltração da extrema-direita nos protestos por melhores condições de vida, como é o caso dos pequenos e médios empresários, deverá continuar. E não se pode, neste caso, com o agravamento da crise social e económica, excluir a possibilidade de radicalização nas formas de protesto da extrema-direita portuguesa”

Olhando para a história podemos perceber que as crises abalam fortemente os sistemas políticos democráticos e abrem brechas para o nacionalismo que segundo o historiador Eric Hobsbawn é um sentimento comum a pessoas que se identificam com sua nação mas que pode ser facilmente explorado e mobilizado para finalidades políticas, um exemplo disso foi a crise do período pós Primeira Guerra Mundial onde surgiram vários adeptos de ideologias totalitárias enraizadas pelo fascismo.

Já o historiador e cientista político Benedict Anderson entende o nacionalismo como algo criado para homogeneizar os espaços e criar uma sensação superficial de pertencimento a uma comunidade imaginária, comunidade essa que as pessoas acreditam existir mesmo sem nunca terem conversado ou tido qualquer tipo de contato com outros integrantes e umas das principais consequências desse sentimento de pertencimento é o sentimento exagerado de superioridade da cultura e do seu país frente a outros. Isso abre margem para que casos como racismo, xenofobia e discriminação das mais variadas aconteçam.

A contribuição portuguesa do relatório chamou a atenção justamente para o que Hobsbawm já havia dito a extrema direita vem tentando tirar vantagem da insatisfação e ressentimento devido a crise sócio econômica causada pela Covid-19 e todos nós que trabalhamos para que o mundo seja um lugar melhor precisamos ficar atentos a isso. 

E aonde quero chegar com tudo isso?

Quero reforçar aqui que é extremamente importante que a gente se interesse por política mesmo sem saber os pormenores, mas que a gente vá atrás de informações, que a gente converse sobre política, que almoce, jante e sonhe com política pois são os nossos direitos, deveres e liberdades que estão nas mãos de pessoas que podem e vão falhar. Precisamos falar para o colega de trabalho que o imposto aumenta se o governo não fizer bons acordos, que fica mais difícil viajar no verão se o país não investir na criação de vagas de emprego e que os jovens dependem de leis que os beneficiem para que queiram ficar no país.

Precisamos lembrar sempre aos familiares e amigos que Salazar foi um ditador e que também houve corrupção, fome e morte em seu governo e que votar na extrema direita não vai “educar” a esquerda ao contrário só vai contribuir para que discursos de ódio tenham força. Nenhum extremo é bom, seja direita ou esquerda, pois no fundo o que todos deveríamos querer é apenas viver em paz, mas para isso a gente precisa falar de política.

Nota: este artigo foi escrito seguindo as regras do Português do Brasil

Carolina Vieira

Geminiana com ascendente em virgem que gosta de música e de escrever poesias no @maria_ao_mar, luto pelos direitos das mulheres na @plataformageni e acredito que a grama do vizinho só é mais verde pois é de plástico.

One Comment

  1. Esse texto é de extrema importância, precisamos lembrar os dias sombrios que Portugal viveu com a liderança de Salazar para não mais sermos influenciados por ditadores.

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