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Eu tenho um fetiche. E o teu qual é?

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A imaginação permite-nos ser e fazer o que quisermos e fantasiar pode ser um bom combustível para o desejo sexual. Porém, fantasia e fetiche assumem significados distintos: a fantasia não enfeitiça, e o fetiche, sim, até porque este termo é de origem francesa que deriva da palavra portuguesa, feitiço.

Neste Dia Internacional do Fetiche que se comemora a 21 de janeiro e que surgiu no Reino Unido, em 2008, damos palco a este mundo da fascinação que adquiriu uma forte conotação sexual.

Contudo, há quem o considere uma prática normal e quem o entenda como desviante ou comportamento desordenado. O Repórter Sombra falou com a Psicóloga Clínica Mafalda Fernandes, da Clínica de Psicologia e coaching Learn2Be, para percebermos se existem ainda tabus quando falamos de sexo e se, porventura, existe alguma aversão ao termo “fetiche.” “Na verdade, um pouco das duas, apesar de eu acreditar que o estigma em relação à sexualidade tem vindo a diminuir, os comportamentos sexuais foram e são muito influenciados pela sociedade, pela época em que vivemos e pelas normas morais e culturais associadas, o que faz com que algumas variações sexuais acabem sendo consideradas atípicas e tabus.”, começa por explicar. Por sua vez, esses tabus são potenciados, por exemplo, pela “ (…) falta de literacia para estes temas (…).  ”

O que é então o fetiche? “ (…) É um comportamento específico dentro de um conceito mais abrangente que são as parafilias. O fetichismo é apenas uma forma de parafilia, e é caracterizado pela atração sexual intensa e recorrente por partes do corpo não erógenas (como os pés) e/ou por objetos inanimados, por exemplo, o salto alto,” esclarece. Parafilias podem definir-se enquanto perturbações sexuais, designadas por “perversões sexuais”, na gíria. As outras formas de parafilia incluem, entre outras: O exibicionismo (exposição dos órgãos genitais a fim de obter excitação sexual ou um forte desejo de ser observado por outras pessoas); Frotteurismo (excitação sexual resultante da fricção dos órgãos genitais ou do toque no corpo de uma pessoa desconhecida); Voyeurismo (prática que consiste num indivíduo em conseguir obter prazer sexual através da observação de outras pessoas); Masoquismo (prazer na dor física e nas humilhações); Sadismo (o prazer depende do sofrimento físico ou moral infligido a outrem.)

Fonte: Unsplash, por Dainis Graveris

Estudos têm vindo a ser feitos na tentativa de nomear possíveis causas do fetichismo na sexualidade. Na prática falamos na “ (…) ligação entre experiências precoces de imprinting e condicionamento na infância ou adolescência, quando a excitação sexual e/ou o orgasmo são combinados com objetos ou partes do corpo não sexuais ou como consequência de fortes experiências traumáticas, emocionais e/ou físicas”, exemplifica.

Contudo, o fetichismo é natural e pode ser saudável na descoberta da sexualidade de cada indivíduo. Em resposta a esta temática, a Psicóloga Mafalda citou uma frase do psicólogo social, Roy Baumeister, que descreve a sexualidade humana como “um emaranhado rico e confuso, no qual impulsos biológicos, significados socioculturais, experiências individuais e fatores desconhecidos desempenham papéis poderosos”.

O limite surge quando o fetichista se torna refém disso e é condicionado conforme essa vontade e aí estamos perante uma perturbação Parafílica.  Devemos, portanto, estar atentos a impulsos e fantasias que começam a prejudicar o normal funcionamento social, profissional ou em outras áreas importantes da vida do nosso parceiro. Exemplos disso são, “ (…) colocar em prática esses impulsos sexuais com uma pessoa que não consentiu; apresentar disfunção sexual frequente durante relacionamentos amorosos recíprocos; quando o objeto de fetiche ou a parte do corpo preferida não está disponível (no caso do fetichismo); preferir atividade sexual solitária associada às suas preferências fetichistas; roubar e colecionar objetos de desejo fetichistas particulares”, nomeia a Psicóloga. A salientar também que, quando se trata de uma perturbação parafiliaca, há práticas que podem tornar-se nocivas, “(…) como o masoquismo, a asfixia autoerótica, que pode resultar em casos fatais. Daí ser importante investigarmos e aprendermos mais sobre elas”.

Em caso de patologia, e depois de uma avaliação rigorosa, os tratamentos existentes têm como finalidade “ (…) controlar os comportamentos e fantasias associados, diminuir o nível de angústia e sofrimento e melhorar os relacionamentos íntimos.” conclui a Psicóloga sobre a temática.

Prossigamos para o lado mais íntimo da questão. Há sempre quem se atreva a explorar os jogos da intimidade nestas datas especiais e faz uma paragem nas sex shops. E neste mundo repleto de diversidade de produtos, tentámos perceber o que procuram os clientes para este dia e durante o ano, no geral.

A Erotic abriu portas em 2014 na Portela e vai sempre ao encontro de dias temáticos. Quem o diz é Joana Santos, Diretora Comercial do espaço que explicou ao Repórter Sombra que, “apesar de sentirmos, por parte dos nossos clientes e de novos clientes, uma procura cada vez maior por todos os diferentes produtos, nestes dias temáticos, verifica-se uma afluência superior.” Do leque de produtos que comercializam, destaque para as ” chibatas, cordas, vendas e velas. No entanto, se tivermos que destacar o produto com maior sucesso de vendas no momento, é sem dúvida o estimulador satisfyer.” Curioso ou não, a procura por estes produtos, nomeadamente pelas mulheres,  aumentou consideravelmente após o papel de Dakota Johnson nesta democratização do prazer sexual, em 2015, no filme erótico americano, “Fifty Shades of Grey”,  que conta com diversas linhas de produtos exclusivos e que alguns podem ser encontrados na Erotic. A Diretora Comercial verifica uma maior procura “(…) por parte do casal em conjunto”,  mas a mulher assume o seu destaque por ter mais opções de escolha, nomeadamente as fantasias, lingerie, entre outras opções. E elas não escondem o que vão à procura. “Temos notado que o sentimento de timidez tem-se vindo a reduzir com o passar dos anos,” finaliza.

De Loures para Telheiras, a My Sex Shop está aberta desde 2015 e é gerida por Rui Brito, referindo que ” a loja também é muito frequentada por casais, tanto hetero como homossexuais” e que os clientes não revelam nenhuma inibição. “Frequentam a loja como outra qualquer não relacionada com sexo,” afirma. Quanto à procura de produtos nesta data, Rui Brito revela que, curiosamente, as vendam não aumentam uma vez que “(…) há muita gente curiosa com produtos eróticos alternativos, que se vendem todo o ano, especialmente as algemas” E os produtos mais vendidos “são os vibradores, talvez porque têm mais variedade.”

É caso para dizer, há gostos para tudo.

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Cátia Marques
Sou a Cátia. Licenciada em Ciências da Comunicação - variante Jornalismo, mas rapariga de poucas palavras. Prefiro a observação. E a escrita. Sempre detestei números. Amo as letras. E aprender novas línguas. Encontro na música o meu sítio preferido. O meu Guilty Pleasure? Taylor Swift.

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