Ciências e TecnologiaTecnologia

Era uma vez… um telemóvel

A primeira vez que o vi os meus olhos brilharam.

Lembro me tão bem!!

Foi O acontecimento, ali estava ele, na sua caixa azul e vermelha, trazia um livrinho de instruções básicas, era preto e a antena levantava de lado! Um telemóvel! O meu pai tinha um telemóvel! Quando estava em casa olhava para ele em cima da mesa, posso mexer? E de quando em vez lá dava uma vista de olhos e, com os olhos na ponta dos dedos, carregava nas teclas do menu que dava, imagine-se, para guardar 50 contactos! Nada de ter dar a volta à rodinha 5 vezes no telefone, era só escolher “avó” e pronto, na casa dela o telefone vermelho tocava. Mais ai de mim que as chamadas eram caríssimas e O telemóvel era só para emergências.

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Ai que lindo que ele era, finalmente “O Meu” telemóvel! Era azul e cinzento, tinha toques polifónicos! Eram horas armada em Mozart a tentar copiar o “Another Brick in the wall”! E consegui! Pronto vá, mais ou menos!

Era ver me a ignorar a chamada que dizia “mãe” só para perceber se tinha ficado bom! E os jogos? A cobrinha manhosa que acertava sempre no próprio traseiro? Ah pois tb fazia chamadas, com código para ser a pagar no destino e SMS, daquelas supostamente incógnitas com um prefixo que resultava uma vez em cada cem.

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Possa que este telemóvel é um tijolo! Preciso de um novo! Com esta operadora tenho 500 mensagens grátis e isto não me deixa escrever bem. Estas teclas prendem!!! Quero um novo, quero um daqueles que abrem e fecham! Quero um cor de rosa! Um daqueles novos que até tiram fotos, que têm ecrã a cores!

Não atendi porque não gosto de falar ao telefone, manda mensagem! Mandei te um tokking.

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E pronto, agora este telemóvel enorme não me cabe na mala, estas fotos tem pouca qualidade. Há uns novos dos americanos que são bem mais giros, tem uma câmara boa e não têm teclas!!!!

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Ah mas isto é tão pequeno, preciso de um ecrã maior, e que tenha câmera à frente porque preciso de tirar fotos a mim mesma, todos os dias, ainda para mais agora tenho Facebook e preciso de manter os amigos actualizados!

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E quem vai tirar fotos na festa da Ana? Talvez devêssemos contratar um fotografo! Não vale a pena, o João tem um smartphone muito bom, com câmara xpto, ele tira. Tenho isto a vibrar espera que vou atender!

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Mas porque não me atende ele o telemóvel? E porque não me liga? As chamadas nem se pagam!! E ontem porque não apareceu? Terá visto mal a data na agenda? Estaria sem bateria? Mas no Facebook tinha a localização como se estivesse em casa…

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Quem não conhece esta história? Há 25 anos, quando a utilização do telemóvel se começou a banalizar em Portugal, lá conhecíamos uma ou duas pessoas que tinham um. Eram os pais dos nossos amigos, ou aqueles que passavam muito tempo fora. As operadoras principais eram duas e apostavam forte no marketing e na publicidade, lá vinham as ovelhas do tou xim, ou o saldo da tia de Marrocos! A ideia era vender telemóveis, simples.

Hoje em dia conhecemos uma ou duas pessoas que não têm telemóvel e olhamos para elas como se de um ET se tratassem!

Pequenos, grandes, miúdos e graúdos, todos de telemóvel no bolso, ou ao pescoço a jeito da selfie, no braço quando fazem exercício ou ligado ao Bluetooth do carro quando conduzem, ou ainda ligado à coluna lá de casa a espalhar música por todo o lado, quais vinil? Está tudo ali guardado na cloud e aberto no telemóvel.

O que vamos jantar hoje? Espera deixa me ver no telemóvel uma boa receita!
O que fazes no sábado? Espera deixa me abrir o calendário no telemóvel!
Sabes que a Maria faz anos hoje? Sei sim, tenho um alerta no telemóvel!
Onde está o João? Foi a casa, tinha se esquecido do telemóvel! Ah mas assim vai perder o autocarro, mas pronto sem telemóvel é que não!

O nosso telemóvel faz parte de nós, anda ali, coladinho ao nosso bolso, fazemos tudo nele! Ele é agenda, ele é despertador, o lembrador do Neville mas versão electrónica com muito pouco de magia. É discman, é Walkman, é consola de jogos, é livro, entretém e passatempo. É Máquina fotográfica e câmara de filmar. É lista de compras e, aquilo que não estiver aqui, de certeza que há uma app para isso.

É um vício, uma dependência! Não vivemos sem ele, é um amigo, um confidente. E, por incrível que pareça, dá para fazer chamadas!

E esta hein?

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Andreia Mendes

Natural de Caldas da Rainha, 35 anos. Licenciada em Educação Social. Mulher, Mãe de dois. Com paixão pelas pessoas, pelas palavras, pelas acções, pelo teatro, pela música e claro pela escrita! Incapaz de compreender algumas injustiças por esse mundo fora, por esse tempo adentro.

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