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Ensino On-line

O ensino on-line está de volta. Nada que nos surpreenda, porque, no momento em que as escolas recambiaram a criançada para umas férias de 15 dias, mas em casa, todos sabíamos que não voltariam tão cedo. E quando digo todos, são todos. 

Já tinha tudo escrito, mesmo antes de saber como iria ser diferente desta vez e depois de ter uma reunião no Meet (Zoom, já foste) com a Professora do meu “ma” novo, enquanto estava à espera para ser atendida no talho, onde a ouvia e pedia ao senhor um chispe. 

Esta é uma das vantagens desta nova era: as reuniões podem ser onde nós quisermos. Pessoalmente, adoro. Agora posso estar em todas sem ter de escolher as mais importantes e ainda posso praguejar, quando oiço as opiniões/comentários dos pseudo-super-pais (vocês sabem do que falo, também têm nas vossas turmas) sem ser vista ou ouvida. Ui! Podemos manter-nos assim, mesmo quando voltarem ao ensino presencial, please?

Claro que o que peço para manter é só as reuniões on-line, não o ensino das criaturinhas. 

Não sou a favor do ensino on-line, se bem que para já é um mal necessário.

A escola não é só o lugar onde se aprende, é o lugar onde nós criamos as melhores recordações (as piores também), onde fazemos as melhores amizades, brincadeiras e disparates. Aquelas que recordamos com risadas ou não quando somos adultos.

 As crianças precisam de sair de casa, manter rotinas, libertarem-se dos pais. Imaginem como eles se sentem sem os amigos, sem a bola, sem puder brincar. Eles e nós precisamos de sentir saudades, de sentir falta.

Claro que os pais de hoje brincam com eles, mas não é a mesma coisa. Ao fim de algum tempo juntos, deixam de reconhecê-los, porque descobrem que os pais também se passam, também gritam, também reclamam e que afinal não são perfeitos. Conversem. Expliquem. Peçam desculpa. Não tenham medo de lhes mostrar o que sentem e quem são. Aproveitem a única vantagem deste ensino à distância. Eles vão gostar na mesma de vocês e até percebem que afinal os pais sentem o mesmo que eles. Não são piores pais, porque, às vezes, dizem um palavrão daqueles “muita feeeeeiiiioooos”. 

Eu, quando me “passo” cá em casa, as minhas queridas criaturinhas desaparecem, até os animais. Deixam-me a libertar a bruxa que cai em mim e, depois de me passar, tudo volta ao normal. 

Mãe o que vai ser o jantar?” 

Falta muito?” 

Estou cheio de fome.” 

Não há nada para comer!” 

Pois, então vais morrer à fome até eu fazer o jantar!

Fogo, lá vem a mãe outra vez…”

 

Nota: Este artigo foi escrito seguindo as regras do Antigo Acordo Ortográfico

Célia

Acredito que se pode escrever com humor, sobre temas sérios e pertinentes. A escrita não tem que ser chata.

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