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Elite, uma série de erros com poucos grandes acertos

Quando a série Elite estreou em 2018, tinha uma história criminal interessante e criativa. Recentemente tornou-se muito confusa, exagerada na forma como relata o mundo adolescente, criando a possibilidade de alguns adolescentes se sentirem demasiado “certinhos” por não terem histórias semelhantes. Radicalizar desta maneira, com sexo, drogas, álcool é perigoso para influenciar os jovens nos seus divertimentos, podendo levar a níveis de depressão e vícios extremamente altos. É essencialmente uma série que necessita de forçar constantes cenas eróticas para manter o público.

O ponto positivo é que aborda questões mais a fundo, com uma lente mais microscópica, sem tabus.

O principal erro de todos é demonstrar que as relações homossexuais são uma via para orgias, mentiras e traições. Caíram no erro de querer seduzir o público com algo que chega perto da pornografia nas cenas de sexo. Sim, estas cenas aguçam a curiosidade, vão mantendo o público porque mexe com fantasias, mas que rebaixa os sentimentos de confiança e fidelidade nas relações. Ao tentarem sensualizar demasiado o sexo homossexual, tornaram-no em algo que está constantemente no campo da perversão, que serve de reforço aos argumentos de preconceito da comunidade LGBT. Isto é um claro exemplo de algo que vai pelo caminho errado para “normalizar”, não é a questão de condenar sexo com mais de duas pessoas. Aquilo que é certo e errado na verdade cada casal decide, desde que haja consentimento de ambos para tal. A problemática aqui, está na mentira e na atração constante pela infidelidade e lealdade, quebrando assim constantemente a relação de confiança entre um casal.

No ponto positivo, é que ao contrário das telenovelas ela vai muito mais a fundo em questões tabu na nossa sociedade, tais como alguma demonstração do ato sexual com alguém que está a fazer a transição de sexo (Transexual), coisa que ainda não foi muito transmitida. Isto porque a sociedade precisa desmistificar ao pormenor a ideia de sexo sem a penetração tradicional.

A mais recente trama é sem dúvida dos assuntos mais atuais e necessários:  violações entre grupos de colegas em que a vítima está completamente alterada, seja por álcool ou drogas. Ali é tratada a questão do consentimento a partir do momento em que se dá alguma liberdade, ou que são pessoas do seu meio íntimo. Violações não são somente casos de desconhecidos numa rua ou lugar escuro, podem ser até com namorados. No episódio em questão a personagem “Isadora” leva um grupo de rapazes, seus colegas no colégio para a sua suite, para fazer uma festa regada a drogas e álcool. Após desmaiar, 3 rapazes, filmam e divertem-se com uma violação em grupo. Este episódio representa na verdade, milhares de jovens, que baixam a guarda e por isso são culpabilizadas por uma cena de abuso sexual. Existem muitos casos atualmente de opinião pública em que as pessoas se colocam contra a penalização de um abuso sexual quando lhes parece que até certo ponto a mulher foi conivente. Ouvimos constantemente um argumento geral de “se ela os levou para o quarto não era para jogar às cartas”.

Indo mais a fundo da questão, há algum tempo, falou-se muito de um caso específico, em que a justiça assumia uma posição em penalizar homens que retiram o preservativo a meio do ato sexual. Sim, isto é considerado uma violação, pois não houve consentimento para que ela fosse uma relação sexual desprotegida. Muitos podem pensar somente no facto de haver consentimento para o sexo em si, mas as relações humanas são de certo modo também um contrato, em que ambos sabem que ao infringir aquela regra haverá uma penalização.

Apesar dos seus grandes erros, a série tem o seu argumento ativista e, como muitas outras, Elite tem o poder de nos familiarizar com determinada personagem para nos condescendermos com determinada situação. Desta forma, torna-nos um espetador menos taxativo nas relações humanas e permitindo o erro nas situações mais duvidosas.

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