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É Preciso ser-se Rico para se ser Inteligente?

Há dias deparei-me com notícias que davam conta de que a pobreza afecta o cérebro e pode intervir negativamente no processo de aprendizagem. O meu cérebro, que não é pobre, nem rico, fez uma rápida ligação nostálgica a memórias de alguém que me relatava os dias difíceis de infância. Ir à escola, noutros tempos, era sinónimo de fome em casa, quilómetros de solidão feitos a pé, barriga vazia e uma mala cheia de sonhos. Apesar das muitas noites dormidas, depois de uma refeição feita de esperança, a pobreza material apenas afectou uma coisa – o desenvolvimento da motivação de uma criança que quis dar um futuro melhor à sua família.

A pobreza pode de facto alterar os comportamentos sociais e familiares, mas isso não significa que seja um factor incapacitante na hora de sonhar, fazer, aprender. Ter um computador, um iPad, ou um iPhone pode de facto facilitar o nosso trabalho, porque existe uma maior eficácia e rapidez nas nossas pesquisas, se tivermos instrumentos que nos permitam aceder rapidamente à informação que procuramos. Porém, o facilitismo proporcionado pelas novas tecnologias a que apenas alguns têm acesso reduz significativamente uma riqueza que podemos agradecer aos novos tempos: o humanismo. Tornámo-nos escravos de cliques e likes e procuramos num qualquer monitor aquilo que não conseguimos partilhar: o amor.

A vida não deveria ser sinónimo de medos, inseguranças e fragilidades, apesar de também o ser. A sensação de vitória tem um sabor diferente, quando, pelo caminho, foram feitos sacrifícios que nos permitem sentir essas vitórias como nossas. A inteligência de cada um pode ser explicada por inúmeros factores, mas deixo isso para os especialistas. A base para a nossa formação pessoal e profissional não será por certo reduzida ao tamanho da nossa casa, à marca do carro e às cores dos cartões de crédito. Em vez disso, talvez seria importante as escolas e os pais começarem por sublinhar o valor da grandeza da amizade, das marcas boas que o amor deixa na alma e nas cores maravilhosas que a amizade proporciona.

Ser pobre pode afectar o cérebro, mas isso não significa que o faça negativamente. Há na luta pelos objectivos e na concretização dos sonhos um sabor que o dinheiro não pode comprar e tudo, porque falamos, escrevemos, amamos, sofremos, envelhecemos e, no fim, o que guardamos é o que aprendemos.

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