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E depois do adeus: As Marcas Únicas

Pessoas são aglomerados de células que se unem de forma aleatória e que são o resultado de experiências pessoais. Algumas destacam-se pelas suas tão peculiares características e acabam por ser modelos, os ídolos, que têm uma legião de seguidores que os não permitem morrer.

Demis Roussos

Esta pomposa mistura é o nome artístico de Artemios Ventouris Roussos. Nascido em Alexandria, no dia 15 de Junho, ficou conhecido como Demis, depois de ter abreviado o seu nome.

O pai era arquitecto e perante a Crise do Canal do Suez, a sua família viu-se obrigada a refazer a vida na Grécia. Tinha 15 anos quando deixou Alexandria e foi morar com a família em Atenas. Levava consigo o amor pela música árabe e já falava três línguas: árabe, grego e inglês. Também era apaixonado por jazz e tocava trompete, viola e bouzouki, um instrumento de três cordas, de origem grega.

As dificuldades da vida obrigaram Demis a tocar em vários locais para ajudar a família. Em 1964, com outros músicos, forma uma banda, “Beatniks” que teve um sucesso considerável. Aprendeu a tocar baixo e guitarra, porque o trompete não era um instrumento que se adequava ao estilo da banda, mas era apenas instrumentista.

Ainda em 1964, deixa os Beatniks e os companheiros daquela banda para se juntar ao seu primo Jo Michat na banda The Idols. Em 1966 muda novamente de banda, passando um breve período com os Minis, de que também fazia parte o baterista Lucas Sideras. Com os Minis a sua voz ficaria conhecida bem como as suas participações como vocalista.

Em 1967, Lucas Sideras, amigo de longa data de Vangelis Papathanassiou, levou Demis Roussos para conhecer o amigo. Esse encontro, na casa dos pais de Vangelis, foi fundamental para que os três músicos decidissem deixar a Grécia e partir em busca do sucesso internacional.

Vangelis já tinha experiência como músico, tendo participado da banda “The Phorminx“. A partir do Verão de 1967, Demis sai da banda We Five e começa a participar com Vangelis, que também havia deixado os Phorminx com o objectivo de juntarem dinheiro para financiar a viagem e a estadia em Inglaterra, onde pretendiam iniciar a carreira internacional.

Quando Demis e Lucas chegaram à Inglaterra foram impedidos de entrar pelo facto de seres músicos. Naquela época, muitos jovens tinham os mesmos planos e havia que fazer a filtragem. Foram para Paris. Conseguiriam uma entrevista com o produtor da Phonogram e assinaram um contrato com a banda, que seria baptizada Aphrodite’s Child, sob sugestão do músico Boris Bergman.

Considerada uma das maiores bandas de rock progressivo, Aphrodite’s Child tornou-se um recorde de vendas a partir do primeiro álbum, sendo a música “Rain and Tears” quase um hino da população jovem da França, no auge da Revolução de Maio de 1968.

A bela e singular voz de Demis Roussos, aliada à grande capacidade musical de Vangelis, garantiriam outros enormes sucessos mundiais para a banda “Aphrodite’s Child”, tais como “End of the World“, “It’s Five O’Clock” e “Spring, Summer, Winter and Fall“.

Em 1971, o cantor lança o seu primeiro disco a solo, com destaque para a canção “We Shall Dance“. Não foi um recomeço fácil e, conforme contou em várias das suas entrevistas, foi preciso muito empenho para fazer com que sua música chegasse às rádios.

O estilo único de Demis fez dele um sucesso e criou uma legião de seguidores que cantavam as suas músicas como hinos. Uma figura imponente que soltava uma voz de anjo.

Do primeiro casamento teve uma filha e do segundo um filho. Sem descurar a família, sobretudo os filhos, tal não o impediu de alcançar mais de 100 discos de ouro, platina e diamante. A música era mesmo o que o motivava e que levou a uma legião de fãs gigantesca.

Em Junho de 1985 um acontecimento mudará a sua vida: o desvio de um avião onde sentiu a sua vida colocada em risco. Voltou à ribalta para que pudesse ser a cara e a voz dos problemas que a humanidade estava a enfrentar.

Demis Roussos faleceu no dia 25 de Janeiro de 2015, após um longo período internado num hospital de Atenas. A filha Emily informou que o pai morreu de um cancro fulminante no estômago.

Conhecem o filme “Blade Runner”, o original? Recordam-se da banda sonora? Tem a mãozinha do mestre.

Leonard Nimoy

O inesquecível Mr. Spock, o homem das orelhas pontiagudas, nasceu a 26 de Março de 1931 e teve uma vida que deixou muitas saudades. Star Trek pode ter sido um marco na sua vida, mas ele era muito mais que isso. Multifacetado, dedicado e interessado, soube tocar muitos, tantos instrumentos e sempre com grande qualidade.

O cinema foi uma das suas casas. Além da série Star Trek, que ainda hoje é uma referência, “Missão Impossível” serviu o seu fulgor entre 1969 e 1971, onde era visto a desempenhar vários papéis, sempre com aquela sua atitude profissional.

Bonanza“, aquela marca única de um rancho onde um pai e os seus filhos aprendem a viver em conformidade com as adversidades, também o teve como convidado num episódio, “O Gorila”. “Fringe”, outra série curiosa, recebeu-o como William Bell.

Na segunda temporada de Columbo, no sexto episódio, dá os seus primeiros passos na televisão. Estreia-se como actor apesar de ser um encenador com créditos bem firmados. Daniel Boone, em 1961 e Perry Manson, em 1963, recebem este homem que parece não ter receio de arriscar.

Este era o homem do cinema que também foi director e ainda emprestou a voz para um jogo, “Civilization IV“, de 2005. As dobragens, vozes que dão vida aos personagens, também consta do seu currículo. Não houve aventura que não tentasse.

Ainda se deixou encantar pela composição e a música, a que tem um dom especial que serve para substituir as palavras quando elas falham. Tal como a arte da fotografia, a que regista o momento para sempre. Foi esta a sua reforma, a que se chama de dourada.

Vegetariano, pai e marido, tudo eram desafios que o ligavam ao mundo. Um vulcano de passado violento que aprendeu a controlar as emoções. Um homem a quem se olhava com avultado interesse.

Filho de emigrantes judeus oriundos da Ucrânia, foi o exemplo de luta. O pai tinha uma barbearia e rapidamente aprendeu que a vida tem que ser moldada. Vendeu jornais e aspiradores, engraxou sapatos e foi ainda motorista de táxi.

Os pais queriam que tivesse educação musical e aprendeu a tocar acordeão. A ideia seria cantar na sinagoga, mas a representação, ter várias vidas em apenas uma, exerceu um poder maior em si e abriu asas, mesmo sendo piloto a sério, para voar na arte de actuar.

Só a doença pulmonar obstructiva crónica, provocada pelo consumo exagerado de cigarros, o conseguiu travar. Foi no dia 27 de Fevereiro de 2015 que chegou à eternidade.

Chefe Silva

António da Silva, nascido a 29 de Março de 1934, foi o homem que colocou o país a comer com um gosto mais apurado e apetitoso. Bem tradicional, sem esquecer o pendor nacional, a marca de origem esteve sempre presente em todas as suas obras.

Usando ingredientes simples, fez milagres com pratos que fizeram saltar o paladar ao mais alto nível. A televisão deu-lhe relevo e sucesso. Foi o fundador da revista Tele-Culinária, uma espécie de Bíblia gastronómica.

Estudou para padre, mas a sua vocação não era aquela. Abandonou, ou melhor, fugiu do seminário e optou pelas obras em Caldelas. Ainda tentou ser ferreiro, mas ganhou o gosto por cozinhar com a mãe.

Aos 18 anos estava a trabalhar no Hotel Suisso em Lisboa passando depois para o Hotel Império. Com 24 anos chegou a chefe de cozinha dos Hotéis Girassol, Xai-Xai e ainda do restaurante do aeroporto de Lourenço Marques, tudo em Moçambique.

Regressa a Lisboa para vir trabalhar para o Hotel Palace e ainda tem tempo para dar aulas na Obra das Mães e no Instituto Culinário Margarina Vaqueiro. Um perfeito gestor de horas e de prioridades.

Contudo, não se ficou por aqui. Continuou a sua labuta. Fez especializações com distinção e ainda passou pelo Hotel Altis, no seu Grill. Um homem que não sabia como parar.

Entre as suas muitas façanhas há a assinalar os trinta anos de uma revista que foi vendida em todos os recantos, Tele-Culinária. Ganhou prémios e medalhas e a televisão deu-lhe uma outra dimensão, especialmente a Praça da Alegria que foi, no seu dizer, a sua casa durante muitos anos. Receitas, paladares, gostos, bem-estar, comer e saber viver foram as normas deste homem que criou receitas e mais receitas e teve sempre o fiel amigo, o bacalhau, como seu par. A 14 de Outubro de 2015, arrumou os tachos e as panelas e deixou de cozinhar. A sua marca indelével ainda paira no ar.

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