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Don’t look up!

Dizem alguns que é uma comédia levada ao exagero, pois questiono-me se a medida fosse mais comedida não correria o risco de se tornar um documentário. A sátira sempre se faz valer do exagero e, através do riso, podem expurgar-se os demónios que por aí andam, mas neste filme, honestamente, fiquei mais apreensiva com as semelhanças com a realidade do que propriamente tive vontade de rir. Não sei se estamos em posição de espectadores do filme – não nos revemos todos nós naquela massa amorfa que é manipulada com facilidade e sem consequente?

Churchill, grande Churchill, serás para sempre perseguido na tua louvável constatação: é o menos mau dos regimes, mas a tirania das maiorias embriagadas terão tanto para nos fazer reflectir…Tudo vale por um voto democrático. Vale tudo.

Os eixos retidos do filme:

O CEO de uma Tecnológica gigante e poderosa, tão bem conseguido num largo espectro entre Jobs e Warhol, conciliando numa figura aparentemente inadaptada um domínio sedento e oportuno da tecnologia com a ausência obliterante da inteligência emocional. Ninguém é perfeito, ainda. Uma teia gigante de algoritmos, liderada por um nerd obstinado, tudo prevê, tudo sabe, um mimo para as companhias seguradoras, que é fintada quando um homem resolve apenas continuar a ser homem. Se persistirmos na nossa Humanidade, a que resta, poderemos fintar os algoritmos? Sejamos imprevisíveis, que os robots prevêem tudo o resto.

A patine dos programas de televisão tão bem retratados por uma dupla, também ela sujeita a quotização por medida, com uma Blanchet tão fria e tão cínica como bela. Dai ao povo o que ele quer ouvir, sem dramas nem historietas esquisitas e anormais, de preferência contadas por pessoas também elas polidas a chantagem ou a medicamentos, algum há-de resultar, caramba! Se as massas forem bem tratadas saberão reproduzir adequadamente a visão que lhes é dada pela minoria. A maioria  democrática de Churchill reproduz-se por contaminação.

Os telemóveis como as nossas lentes de contacto com o mundo. Cremos no que os aparelhos nos dizem, investindo na nossa dimensão robótica que alimentará as tecnológicas que nos levam a outros planetas, se calhar. Duvidamos mais dos nossos sentidos do que dos sentidos que os gadgets nos dão.

Mas sem dramas. A verdade interessa a quem, afinal? A verdade é o que vemos do mundo, pronto. Sem complicar demasiado as coisas. As pessoas – a tal maioria – só precisam de saber o bastante para andarem na linha, a linha que a tal minoria define ao sabor do seu vento. Não precisam de saber a história toda. Não é assim que todos fazemos com as crianças? Mas claro que há sempre umas crianças chatas que perguntam, querem saber porquê, esgotam, por vezes, os depósitos de paciência dos educadores que as conduzem. Chatas. Massacrantes. Calem-se, por favor. Tomem lá um telemóvel e distraiam-se, vejam uns bonecos e aprendam a comportar-se. Em tenras idades ainda se tenta domesticar estes ímpetos singulares que não sabem respeitar e menos ainda reproduzir os modelos; em adultos, caso mais complicado, o polimento é feito através da ridicularização dos fora da norma por aqueles que nela estão. Estratégia antiga e repetida por continuar a  mostrar resultados. Por atingir o objectivo, que a vergonha é bem humana.

Uma doutoranda que deu o nome ao asteróide que ninguém, incluindo a própria, queria ter visto. Radicalmente banida, até pelos pais (não sem antes passar pela troça pública instigada pelo tão pertinente namorado) que, compreenda-se , não queriam problemas. Esta é a plataforma que subjaz a muitas ‘convicções’: não querer problemas. Ainda bem que houve muitas e boas pessoas antes de nós que não fizeram contas aos problemas, hipotecando a sua tranquilidade e vida serena por bens maiores. Outrora valores.

Bom, tudo se torna bem mais relativo se soubermos que o mundo acaba com data próxima e prevista. Sem dramas, com promessa de um futuro risonho de colonização de um planeta idílico por alguns escolhidos (sentiste a homenagem, Musk?). Fica a dúvida no ar? Serão todos comidos pela espécie nativa que deglutiu a Senhora Presidente e a sua sexy tatuagem ou trataremos nós, humanos, da extinção da ainda desconhecida espécie animal? Atendendo às previsões do algoritmo e a todos os dados já recolhidos, aposto com segurança na extinção da espécie desconhecida. Ou vamos tornar-nos agora aleatórios?!

Predição segura quanto à qualidade e contenção da presença de um DiCaprio (que qualquer dia se arrisca a ser banido de Hollywood com tanta preocupaçãozita com o planeta) da Presidente Meryl Streep, nunca de mais, nunca de menos, e o Niilismo vaticinado há mais de cem anos por um filósofo, também ele tantas vezes maldito por desrespeitar o pensamento normativo, o que lhe valeu em vida ser considerado louco antes de o ser.

Mais previsões? Passagem directa para a Netflix sem passar pelas grandes salas de cinema.

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