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DIY – Como criar mau ambiente

1. Percepcionar que o Homem está acima de todas as outras espécies a nível de importância no Planeta, quando na verdade é a espécie mais dispensável e que mais contribui para a perda de homeostasia na Terra. Somos, de facto, a única espécie que pode escolher qual as relações bióticas interespecíficas a ter com os outros seres vivos. Devemos favorecer as que não causam danos e que nos permite desenvolver um paradigma verdadeiramente ecológico (simbiose, comensalismo e mutualismo) em detrimento da predação e da competição, bem como todas as atitudes que põe em risco a sobrevivência das outras espécies (destruição da floresta, caça e pesca massiva, desperdício das mais diversas formas… Enfim, a lista é tão grande que não vale a pena fazer enumeração extensa). Deixemos de pensar que somos soberanos à outras espécies.

2. Comprar fruta importada no Supermercado, quando o nosso vizinho, com o qual nunca nos tentámos relacionar, cultiva essa mesma fruta e pratica preços amigáveis, muitas vezes não conseguindo escoar o produto pelo facto de não conseguir competir com as grandes infraestruturas comerciais. Ao consumir directamente ao produtor, abrimos oportunidades de ter contacto directo com os produtos e com as pessoas, de uma forma até mais bucólica, podendo adquirir conhecimentos acerca do processo agrícola e tecnológico. Além disso, contribuimos para a redução da pegada ecológica que a globalização e o capitalismo promovem, muitas vezes de forma absurda. Há importações que são completamente desnecessárias e que apenas servem os interesses de certos lobbies. O consumidor, como base da pirâmide de consumo, deveria ir retirando os alicerces para fazer com que certos interesses nefastos para o planeta ruíssem.


3. Estar perto de um caixote do lixo e mesmo assim ter o desleixo e a negligência de arremessar o plástico, as beatas de cigarro ou as tais aclamadas máscaras para o chão. Insistir em atitudes inconscientes ou, bem pior, desculpar a nossa estupidez com falsa empatia – ”é para continuar a dar emprego às pessoas que apanham os resíduos urbanos”. Mudar este tipo de atitude desenvolve a senciência, e é o mínimo exigível ao cidadão-comum com vista à preservação do meio ambiente.

4. Aproveitar os saldos para consumir de forma compulsiva e sem necessidade, muita vezes comprando itens (electrónicos ou têxteis) que raramente iremos usar. Festejar a abundância, não controlando o desperdício alimentar por pura gula.

5. Continuar a utilizar plástico e outros recursos descartáveis de maneira massiva. Muitos destes objectos são facilmente substituídos por alternativas ecológicas de maior durabilidade e que podemos personalizar consoante o nosso gosto pessoal. Qual é o objectivo de utilizar palhinhas descartáveis por capricho? Porquê tantos copos de plástico? Custará assim tanto transportarmos um kit pessoal connosco, abrindo assim a possibilidade de reduzir os consumos? Para que é que se compra fruta já cortada e ultra-embalada? Dá assim tanto trabalho descascar fruta? Quão infinita se tornou a nossa preguiça?


6. Desenvolver uma mentalidade nihilista, pensando que no fundo somos uma simples gota no oceano e as nossas acções para com o ambiente não são relevantes e para a sociedade somos um mero número estatístico. Outros que o façam, eu não faço qualquer diferença em larga escala. Se nem com os nossos actos ambientais nos preocupamos, como nos vamos importar com os alheios? ”Isso não me diz respeito, não me cabe a mim corrigir, chamar a atenção ou sequer importar-me ou retirar uma lição para mim próprio.” Parece que o Mal se aprende mais facilmente do que o Bem, apesar de fazer mal dar bem mais trabalho do que fazer bem. Não seria mais eficaz se governássemos a nossa vida de acordo com as correntes do Utilitarismo ou do Imperativo Categórico?

We don’t need a handful of people doing zero waste perfectly. We need millions of people doing it imperfectly’.

– Anne-Marie Bonneau

7. Reger a nossa vida pelos verbos ver/entorpecer em vez de fazer/agir. Com esta cultura de conforto sofá-gadget, fomos desenvolvendo hábitos de ver os outros a fazer coisas. Preferimos ver a bola do que jogar à bola. Geramos entusiasmo e adrenalina através de clicks em comandos e telemóveis. Existe uma tendência de utilizadores de Youtube que consiste em ver vídeos de pessoas a jogar videojogos. E outra de ver vídeos de pessoas a comentarem e reagir a vídeos de pessoas a jogarem videojogos. É uma Matrioska de visualizações. Estamos viciados em visualizar conteúdos. O impulso de agir em prol do ambiente ou de ter um contacto mais directo com as coisas vai ficando adiado, até que passe a obsoleto.

Nota I: Somos a única espécie conhecida com capacidade de usar a caneta de maneira apropriada. Só os humanos conseguem decifrar estas palavras. O nosso cérebro evoluiu de tal forma que se tornou o elemento diferenciador em relação aos outros habitantes da Terra. Apesar de, quimicamente, apenas sermos constituídos por Carbono Oxigénio, Azoto e Hidrogénio, de alguma forma somos dotados de inteligência e consciência. Além deste facto ser um mistério, também se pode ver como um milagre. Esta capacidade deveria dar-nos maior responsabilidade em cuidarmos do bem-estar global do planeta, não exclusivamente a pensar no nosso ego e no nosso crescimento que, devido a habitarmos num sítio com recursos limitados, não pode com certezas ser ilimitado. A melhor festinha no ego é sermos benéficos para o que está ao nosso redor. Mas este consegue ser mais complexo do que a Matemática. Ou então somos nós que complicamos. Estamos a destruir as florestas, a poluir e a ‘pôr o lixo debaixo do tapete’. A metáfora do sapo do documentário ‘Verdade Inconveniente’ não foi levada a sério. Não nos esqueçamos que a Terra também se pode ver como um organismo vivo- podem vê-la a perder o fôlego aqui.

Nota II: este artigo foi escrito seguindo as regras do Antigo Acordo Ortográfico
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