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Crianças refugiadas

A ideia era mesmo falar sobre a situação escolar das crianças que chegam a um país após período de guerra. A ideia era quase esquecer ou deixar passar quem fica para trás, mas não tem forma clara de o fazer. Quem são as crianças refugiadas? Quantas delas passaram? Quantas delas foram aceites por um mundo inteiro que teima em fechar portas?

O imediatismo terminou! Quanto tempo durou? O tempo suficiente para sair da cabeça das pessoas.

Não podemos falar como se muitas crianças tivessem sido acolhidas por este ou aquele país, só porque deixou de passar nos media, só porque deixamos numa memória curta uma certa criança que fez nascer o dia morta na praia.

E quantas mais não tiveram a sorte de sobreviver? Quantas morrem todos os dias um pouco?

São um leque vasto de perguntas assustadoras, perguntas que arrepiam, perguntas que não ousamos sequer colocar, numa altura em que se tenta esconder a crueldade em que vivem estas apenas crianças, apenas crianças que não o podem ser.

Existem mesmo relatos aterradores dados pelos médicos sem fronteiras, que dão conta de crianças de apenas 10 anos que tentam o suicídio. Informações pouco conhecidas que chegam como bomba, retratando o horror que é vivido num dos campos de refugiados, neste caso na Moira, na ilha grega de Lesbos. Lá, onde estão perdidos do mundo, escondidos de câmaras. Estas são as imagens que ninguém vê, são as realidades camufladas, para não chocar o mundo. Um cenário de extrema violência, sobre lotado e com condições horrendas.

Com que preocupação falamos nós em educação, quando existem graves problemas do foro mental, graves problemas de saúde, consequência da falta de higiene, da falta de condições mínimas de sobrevivência.

Este e muitos campos foram criados para servir de placa giratória a refugiados, ilusoriamente. Existem pessoas que ali se encontram a anos, a aguardar condições favoráveis, que teimam em não aparecer.

A par de toda a insuficiência existe a preocupação em educar estas crianças, sendo esta ideologia fomentada por António Guterres, como sendo “uma questão de segurança global”. Não discordando disso e sabendo que a educação será a chave para uma reabilitação do país, não é tão linear programar, pôr em prática e controlar que a educação seja para todos.

Um novo relatório do Alto Comissario das Nações Unidas para os Refugiados tornou conhecido que cerca de 4 milhões de crianças refugiadas espalhadas pelo mundo não têm acesso à educação, situação que não parece ter resolução num curto espaço de tempo, pois, por mais que os governos se esforcem para fazer estes números diminuírem, o ritmo em que aumenta a população refugiada é alucinante.

61% é a percentagem de crianças refugiadas que têm o privilégio de estar matriculadas no ensino fundamental, apenas 23% estão no ensino médio e, quando se fala no ensino superior, a lacuna é gigante.

É pedido aos países que recebem refugiados urgência em matricular estas crianças nos sistemas nacionais de educação adaptando um currículo para cada estágio dos ensinos fundamental e médio, tentando que dessa forma as qualificações reconhecidas sejam impulsionadoras para a universidade ou ensino profissional superior.

Isto é apenas uma gota daquilo que tem que ser feito, pois ainda por um largo período de tempo, existirão crianças que apenas conhecem a vida como refugiadas, muitas obrigadas a lutar pela sobrevivência, muitas que perderam o consolo de uma família.

Debates, ideias, opiniões, cimeiras, acordos e muitas continuam em “pause”.

Andamos num mundo tão cheio de tanto e tão vazio de tudo.

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